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Startups que estão desenvolvendo a cozinha do futuro

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Na busca pela inovação, as empresas fabricantes de produtos de cozinha estão se voltando para trazer cozinhas cada vez mais inteligentes, automatizadas e em que a preocupação com a saúde está no centro das preocupações. E ainda que, em muitos aspectos, para cozinhar os pratos do dia a dia só se precise de um forno e um fogão, as indicações é que isso está prestes a mudar.

Os ingredientes da próxima geração, os aparelhos com inteligência artificial, novos métodos de cozimento e outras tecnologias têm o potencial de mudar fundamentalmente o que comemos e como o cozinhamos.

Confira quais são as startups e as tecnologias que, segundo o CB Insights, possuem potencial para moldar o futuro da culinária.

Um novo tipo de “chef de cozinha”

– A startup Moley Robotics criou um robô totalmente automatizado capaz de preparar com precisão diversas refeições. Utilizando inteligência artificial, o sistema é programado para “conhecer” receitas e executá-las usando os mesmos movimentos de um cozinheiro e pode ser operado por smartphone ou através de um centro de comando com tela touch, que pode ser instalado na sua cozinha.

Após selecionar a receita, os braços robóticos começam a trabalhar com os ingredientes para preparar a refeição. Todo o processo acontece sob a proteção de uma tela de vidro, que garante a segurança do usuários.

O robô imita os movimentos humanos. Graças aos sensores táteis instalados nas mãos do robô, os “dedos” são capazes de pegar ingredientes ou objetos de cozinha, ligar ou desligar o fogão.

Moley é uma das primeiras empresas de robótica a trazer para o mercado um boot de cozinha humanoide para o uso em casa. A versão para consumidor deverá ser lançada em 2018, com um preço de cerca de US$ 100 mil.

Com um valor pouco acessível, provavelmente a tecnologia não deve ser adotada tão cedo. Mas existem alguns dispositivos menores que também são robotizados e podem se tornar viáveis por conta do preço amigável.

Apesar de ainda estarem na fase do protótipo, essa máquinas devem estar à venda no varejo em breve:

– A Gammachef está desenvolvendo um sistema all-in-one para criar refeições individuais, incluindo massas, risotos ou ensopados. Os usuários precisam colocar alimentos pré-cortados em um recipiente plástico com um código de barras e selecionar, por meio de um aplicativo, a receita desejada e o horário das refeições. No momento certo, a máquina aquece uma panela e adiciona os ingredientes em ordem e quantidade que estão descritas na receita. Um braço robótico é utilizado para fazer a mistura necessária.

– A Nymble também está testando um dispositivo de cozimento automatizado que prepara refeições individuais. Os usuários precisam selecionar um conjunto predeterminado de receitas, colocar os ingredientes na máquinas e personalizar a seu gosto os temperos, tempo, temperatura e consistência do molho. Ao longo do tempo, a Nymble pretende implantar esses dados de preferência de usuário em um sistema de inteligência artificial e usá-lo para treinar o dispositivo para cozinhar alimentos adaptados aos gostos individuais de uma pessoa.

Cada uma das inovações robotizadas acima é comercializada pelo fabricante como ferramenta para simplificar o ato de cozinhar e tornar o processo mais rápido e fácil – mais para “pular etapas” no preparo e não eliminar a cozinha em si.

Novos ingredientes (ecoconscientes)

Startups e empresas estabelecidas estão desenvolvendo alimentos alternativos. A ideia é criar adoçantes e aromas sintéticos ou alimentos que sejam capazes de substituir os “tradicionais”.

Novos ingredientes estão ganhando força nas prateleiras dos supermercados, principalmente aqueles à base de plantas ou que possuem especiarias e sabores especiais.

Algumas startups, como Moringa, Maca e Monkfruit, provenientes da América do Sul e do Sudeste Asiático, colocam seu foco nos sabores. Além de usar sabores de nicho e especiarias únicas em produtos, algumas dessas empresas têm projetos para substituir a proteína animal por uma proteína que tem como fonte algo um tanto inesperado: os insetos.

As proteínas baseadas em insetos são apresentadas como alternativa mais saudável e sustentável às proteínas animais, uma vez que insetos podem ser cultivados em condições mais humanas e eficientes em termos ambientais do que o gado.

Você já pode comprar lanches à base de grilos de startups como Six Foods e Chapul em lojas de alimentos saudáveis.

Os insetos também aparecem em projetos como da Entomo Farms, que fornece farinha de grilo, que pode ser usada no lugar da farinha comum em diversas receitas e até para preparar alimentos mais nutricionais. O ingrediente possui 7 gramas de proteína a cada ¼ de xícara, enquanto a farinha tradicional possui apenas 4 gramas.

Já a Flying SpArk está produzindo insetos comestíveis. Segundo a empresa, há muitos benefícios para quem se alimenta de larvas de moscas de fruta em substituição à proteína animal. A empresa vende as larvas secas e também um tipo de óleo de cozinha.

E você também pode criar e colher sua própria fonte de proteína em casa. Essa é a proposta da The Hive (US$ 579), da Starting Livin Farms, que se coloca como uma solução única para o crescimentos de “larvas de alimentos saudáveis, deliciosas e sustentáveis em sua casa”.

Se o seu gosto não está para os insetos, há outras fontes alternativas de proteína. Pesquisadores e empresas de tecnologia como a Hinoman, com sede em Israel, está desenvolvendo e cultivando o Mankai. Esse legume de folha integral patenteado, rico em proteínas, é cultivado em sistema de hidroponia sustentável. Contém 45% de proteína vegetal, além de vitaminas, minerais, ácidos graxos e outros nutrientes encontrados em superalimentos como a couve.

Comida de engenharia

Existem pesquisadores que estão indo mais longe ao produzir produtos agrícolas a partir de culturas celulares. Um dos principais institutos de pesquisa espacial, a New Harvest, está financiando universitários que estão criando leite, ovos e carne usando moléculas de proteína e gordura orgânicas, em vez de depender de células vivas.

Existe também a produção da “carne cultivada”. Feita em laboratório, ela é “cultivada” usando culturas celulares. Os cientistas podem extrair um pequeno número de células padrão de uma galinha (ou qualquer outro animal) e permitir que elas se multipliquem naturalmente, em placas de Petri, enquanto estão mergulhadas em nutrientes.

Após a multiplicação das células, os cientistas podem expô-los a nutrientes adicionais e manipular propriedades como tamanho e conteúdo protéico. As células resultantes podem então ser colhidas, temperadas, cozidas e consumidas como qualquer outra carne desossada e processada.

De acordo com a New Harvest, outro aspecto positivo da agricultura celular é a capacidade de projetar e adequar o que você está fazendo. Por exemplo: é possível fazer carne com menos gorduras saturadas e mais gorduras insaturadas, leite sem lactose ou ovos sem colesterol.

Ferramentas e métodos da cozinha da próxima geração

Para quem ainda prefere cozinhar da maneira tradicional, as tecnologias de realidade aumentada e realidade virtual oferecem um novo modo de preparar os alimentos, como um grande chefe de cozinha.

Os aplicativos de realidade aumentada desenvolvidos a partir do ARKit da Apple, por exemplo, permitem que você ouça receitas pelo fone de ouvido. É possível também assistir tutoriais de cozinha ou ver como o seu prato deverá ficar depois de pronto. Quem não se interessa por essa tecnologia pode optar pelo uso de um aparelho que muda o modo de cozimento dos alimentos.

O cozimento a vácuo  é um método que prepara os alimentos selados a vácuo e colocados e banho-maria por um tempo mais longo que o tradicional (pode variar entre 1 e 7 horas) e em uma temperatura muito inferior às normais. O objetivo é reter a umidade ao cozinhar o item uniformemente, garantindo que o interior seja devidamente cozido sem excesso de cozimento no exterior.

Dispositivos capazes de reproduzir esta técnica estão disponíveis há algum tempo. Mas algumas empresas de tecnologia acreditam que a cozinha a vácuo pode fornecer um caminho automatizado para a criação de refeições de uma maneira similar a uma panela de barro.

Com o sistema de Mellow, os cozinheiros domésticos podem dizer ao dispositivo (via app) o que querem cozinhar e o ponto que preferem o alimento. Depois de carregar a máquina com ingredientes, ela sabe o que fazer a partir do momento em que a comida é colocada dentro do banho de água.

O que diferencia o Mellow de outros produtos com a tecnologia de cozimento a vácuo é a sua função de refrigeração: o resfriamento permite que os alimentos sejam armazenados no dispositivo em vez de um refrigerador até estarem pronto para serem cozidos. O dispositivo também conta com um sensor de peso para detectar a temperatura e tempo de cozimento necessários.

Este método de cozimento serviu de inspiração para uma outra maneira de preparar os alimentos. O e-Cooker da IXL usa explosões de energia de alta tensão essencialmente baixas para cozinhar os alimentos com baixo calor e precisão de uma máquina, e com a mesma velocidade de um micro-ondas. A IXL chama essa tecnologia de campo elétrico pulsado (PEF).

O dispositivo e-Cooker, que se assemelha a uma torradeira, tem compartimentos diferentes (de tamanhos diferentes) que funcionam independentemente e podem ser pré-programados para cozinhar em diferentes “intensidades de campo” de pulsação eletrônica.

Comida personalizada

Tal como acontece com a cozinha robótica, a impressão de alimentos em 3D já está sendo usada em ambientes comerciais.

Alguns supermercados e padarias estão utilizando a impressão para decorar bolos personalizados, biscoitos e doces com o dispositivo Bocusini’s. Os confeiteiros podem carregar a máquina com ingredientes e definir especificações de projeto para criar confecções especiais, como a cobertura de bolos de casamento.

Já a impressora Chef 3D, da BeeHex, produz pizzas a partir de ingredientes em pó e desidratados. Ela é capaz de fazer pizzas dos mais diversos formatos e por isso conquistou parques de diversão, eventos esportivos e grandes restaurantes que buscam algo personalizado.

Os fundadores da BeeHex prevêem um futuro no qual através de um aplicativo, uma pessoa poderá pedir uma pizza, com ingredientes personalizados, coberturas ou outras especificações, inclusive de olhoe em restrições dietéticas.

À medida que as restrições alimentares aumentaram, a tendência para a personalização nos alimentos ganha cada vez mais força. Pensando nisso, foi criada uma assinatura personalizada de entrega de refeições do Habit – que organiza dietas personalizadas com base em resultados de testes de DNA em casa.

Através da personalização, as impressoras 3D podem também tornar frutas e legumes mais atrativos para as crianças que normalmente costumam rejeitar esses alimentos.

Existem outros empreendimentos que, assim como a BeeHex, permitem a impressão de alimentos em 3D. É o caso do Foodini, um dispositivo desenvolvido pela Natural Machines, que permite que os usuários imprimam diversos alimentos utilizando ingredientes frescos.

Para usar a máquina, basta colocar ingredientes em uma cápsula e selecionar o design do prato. O alto nível de precisão torna o Foodini útil para criar alimentos com múltiplos componentes – como quadrados de ravioli recheados de queijo – apertando apenas um botão.

Fonte: Época Negócios – 17/11/2017

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