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Em tempos como
os atuais ocorrem alguns fenômenos interessantes no mercado. Entre
eles, o evento simultâneo da “carência afetiva” e da “carência financeira”,
provavelmente com o segundo gerando o primeiro.
É um cenário
difícil e complexo, com inúmeras variáveis fora do controle de cada
um. Em muitos casos, a única alternativa aparente é esperar e sobreviver
até que as coisas mudem....
Mas, usando
uma imagem que reflete bem essa situação, a vida é parecida com
o gráfico de um eletrocardiograma, com altos e baixos e, no eletro,
a linha reta representa a morte!
Ficar parado,
esperando que alguém mude alguma coisa e melhore a sua situação
é colocar a responsabilidade do próprio sucesso na mão dos outros.
Como disse um poeta, em um passado não tão distante: “Quem sabe,
faz a hora, não espera acontecer.....”.
Apesar de todo
esse quadro difícil, a vida continua. E um dos grandes desafios
para quem depende do mercado é resolver a equação da “carência afetiva
/ carência financeira”. Neste caso, o seu cliente quer sempre uma
vantagem a mais, um agrado, um desconto, algo que faça com ele se
sinta importante, por um lado, e gaste um pouco menos, por outro.
Como resolver essa situação com margens que já andam baixas e gastos
que só aumentam?
Uma das respostas
possíveis está no conhecimento claro do mercado onde sua empresa
atua e das necessidades do seu cliente. Existem necessidades que
são perenes e outras que dependem da época. Qual é a necessidade
do mercado que o seu produto ou serviço resolve? Qual o preço que
o cliente está disposto a pagar por isso? Será que o seu produto
ou serviço já cumpriu o papel a que se propunha inicialmente e seu
ciclo de vida está no fim? Se for este o caso, é possível alterá-lo
ou é melhor substituí-lo por outra solução mais moderna? Administrar
com “olhos de ver” é um termo que já utilizamos em outros artigos
e representa aqui a capacidade de ver o mercado na sua realidade
e não do jeito que gostaríamos que ele fosse.
De forma mais
objetiva, vamos analisar o mercado das empresas que prestam serviço
de alimentação a coletividades, as chamadas concessionárias: Quem
é, hoje, o seu verdadeiro cliente: a empresa ou o comensal?
Cada vez mais
o comensal deixa de ser um cliente cativo, exercendo seu direito
de consumidor, exigindo cada dia mais e, acima de tudo, comparando.
É normal receber o valor da refeição direto do comensal, em dinheiro
ou vales. E ele pode optar entre almoçar no restaurante da empresa
(administrado por uma prestadora de serviços de alimentação), ir
à praça de alimentação do Shopping ou a um dos restaurantes por
quilo das imediações.
É também cada
vez mais frequente a postura das empresas de cobrar um valor ou
um percentual com base no “mercado potencial” representado pelos
seus funcionários, ficando com a concessionária a responsabilidade
de gerar lucro com a operação. Nesse caso, a conquista de um novo
“Contrato” representa um grande desafio, não muito diferente daquele
enfrentado pelos empreendedores que decidiram abrir um restaurante
na esquina, por exemplo.
De uma forma
geral, as prestadoras de serviços de alimentação à coletividade
estavam acostumadas a contratos que ofereciam uma clientela cativa
e pagamento garantido. Uma tendência clara de mercado atual é a
liberdade dos funcionários quanto à escolha do local onde almoçar.
E, normalmente, essas empresas não estão acostumadas a concorrer
com os restaurantes comerciais, por quilo, praças de alimentação,
etc, correndo os riscos de mercado, ou seja, vender 1.000 refeições
em um dia e 150 no dia seguinte. E não entrar em pânico !!!
Um treinamento
adequado para os profissionais que gerenciam essas unidades com
a nova realidade é fundamental. Conhecimentos básicos de marketing,
gastronomia, organização de eventos, entre outros, compõem o novo
perfil necessário para garantir o sucesso de uma operação, além
dos conhecimentos tradicionais de nutrição, custos e administração.
Da mesma forma, os profissionais da área comercial têm que aprender
a conviver com essa nova realidade e gerar as mudanças internas
para que toda a equipe se movimente nessa direção. Novos equipamentos
e técnicas passam a ter uma grande importância na redução de custos,
permitindo melhorar o preço final e concorrer no mercado de uma
maneira mais eficaz. Da mesma forma, um plano de divulgação adequado
é extremamente importante para o sucesso do empreendimento.
Aprender a conviver
com o risco e saber administrá-lo é outro fator importante para
a adaptação às novas regras do mercado. Preço, qualidade, apresentação,
conveniência, são alguns dos parâmetros que o novo consumidor (com
liberdade de escolha) analisa para decidir onde comer. Um cliente
que decida ir almoçar no Shopping representa uma refeição a menos
que é vendida....
Novos tempos,
novos desafios. O importante é definir o que se pretende fazer e
fazê-lo logo. Ficar parado, nunca ! Esse é um dos mais importantes
componentes para o sucesso.
Airton
Bottini -
Fevereiro/2003
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