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Fundador da
Abaga - Associação
Brasileira da Alta Gastronomia, em 1994, e presidente da entidade
até 1998, Laurent
Suaudeau, foi um dos idealizadores do Gourmet Show, que acontece
na Fispal e
vem ganhando importância e destaque entre os eventos internacionais
de gastronomia. Durante a sétima edição do
concurso, o chef Laurent, em entrevista para a Revista Nutrinews
falou sobre o evento deste ano e de suas atividades profissionais.
NN - Como foi organizada esta
edição do Gourmet Show?
Laurent - Este ano o concurso
tem como foco o Brasil enquanto nos outros havia mais convidados
internacionais. O situação difícil da economia
brasileira não permitiu trazer muitos profissionais do exterior
para este evento. Por esse motivo foi o momento ideal para centralizar
os temas na gastronomia e nos profissionais brasileiros e latino-americanos.
NN - O nível dos novos
profissionais brasileiros que participaram do concurso apresentou
alguma diferença neste ano?
Laurent - Nos últimos
anos, os jovens descobriram o mundo extraordinário da gastronomia,
desencadeando um processo de busca por especialização.
Hoje, temos profissionais mais conscientes e mais preparados. É
possível perceber isso neste concurso.
NN - Como está o mercado
de trabalho para os novos talentos?
Laurent - As autoridades brasileiras
ainda não perceberam o valor que tem esta nova geração.
Deveriam dar mais atenção a estes novos profissionais
que estão se formando e que têm mais consciência
de seu valor. As perspectivas para o mercado da gastronomia são
difíceis, pois o mercado de trabalho não tem condição
de absorver todos os que têm se especializado. Deveriam criar
mecanismos para gerar mais empregos nessa área, senão
o Brasil corre o risco de ser formador de mão de obra especializada
que sairá do País em busca de outros mercados, a exemplo
do que acontece no futebol brasileiro.
NN - Que tipo de ações
poderiam contribuir para melhorar essa situação?
Laurent - No âmbito escolar
e empresarial, uma aproximação mais organizada entre
escolas e mercado poderia ajudar, além de dar oportunidade
de atuação na prática para os estudantes complementando
sua formação.
NN - Como foi organizar esta
edição do Gourmet Show, durante um período
de crise e com tantos problemas no mercado profissional?
Laurent - Não é
tarefa fácil. Estar à frente deste evento requer muito
trabalho, mas sempre me deu uma certa satisfação pessoal.
Nasci operário e sempre acreditei na importância da
formação do indivíduo. Meu pai me ensinou o
valor do trabalho e sempre me dizia: “Seja bom no que faz e no que
diz”. Tenho nessas palavras a base para muitas ações
na minha vida e meu objetivo tem sido praticá-las da melhor
forma. Não quero ser visto como o profissional que fez um
grande show, mesmo porque ele tem os limites de uma realidade mercadológica.
Apenas fiz o que aprendi e o que foi possível.
NN - Suas atividades no Brasil
e seu sucesso como chef são inquestionáveis. Sente-se
realizado com as atividades que desenvolveu?
Laurent - Estou vivendo um momento
de questionamento em que preciso reavaliar uma série de questões.
Sou um idealista, acredito muito nas coisas e, muitas vezes, elas
não funcionam como se espera, existem outros fatores que
acabam por interferir no trabalho que se gostaria de desenvolver.
Ao mesmo tempo, penso que o fato de eu ter conquistado tantas coisas
neste País deve ter um significado maior. Acabando esse concurso
quero ponderar bem e então definir os próximos passos
de minha vida profissional.
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