Edição 197


 

Entrevista: Chef Laurent

 

Fundador da Abaga - Associação Brasileira da Alta Gastronomia, em 1994, e presidente da entidade até 1998, Laurent Suaudeau, foi um dos idealizadores do Gourmet Show, que acontece na Fispal e vem ganhando importância e destaque entre os eventos internacionais de gastronomia. Durante a sétima edição do concurso, o chef Laurent, em entrevista para a Revista Nutrinews falou sobre o evento deste ano e de suas atividades profissionais.

NN - Como foi organizada esta edição do Gourmet Show?
Laurent - Este ano o concurso tem como foco o Brasil enquanto nos outros havia mais convidados internacionais. O situação difícil da economia brasileira não permitiu trazer muitos profissionais do exterior para este evento. Por esse motivo foi o momento ideal para centralizar os temas na gastronomia e nos profissionais brasileiros e latino-americanos.

NN - O nível dos novos profissionais brasileiros que participaram do concurso apresentou alguma diferença neste ano?
Laurent - Nos últimos anos, os jovens descobriram o mundo extraordinário da gastronomia, desencadeando um processo de busca por especialização. Hoje, temos profissionais mais conscientes e mais preparados. É possível perceber isso neste concurso.

NN - Como está o mercado de trabalho para os novos talentos?
Laurent - As autoridades brasileiras ainda não perceberam o valor que tem esta nova geração. Deveriam dar mais atenção a estes novos profissionais que estão se formando e que têm mais consciência de seu valor. As perspectivas para o mercado da gastronomia são difíceis, pois o mercado de trabalho não tem condição de absorver todos os que têm se especializado. Deveriam criar mecanismos para gerar mais empregos nessa área, senão o Brasil corre o risco de ser formador de mão de obra especializada que sairá do País em busca de outros mercados, a exemplo do que acontece no futebol brasileiro.

NN - Que tipo de ações poderiam contribuir para melhorar essa situação?
Laurent - No âmbito escolar e empresarial, uma aproximação mais organizada entre escolas e mercado poderia ajudar, além de dar oportunidade de atuação na prática para os estudantes complementando sua formação.

NN - Como foi organizar esta edição do Gourmet Show, durante um período de crise e com tantos problemas no mercado profissional?
Laurent - Não é tarefa fácil. Estar à frente deste evento requer muito trabalho, mas sempre me deu uma certa satisfação pessoal. Nasci operário e sempre acreditei na importância da formação do indivíduo. Meu pai me ensinou o valor do trabalho e sempre me dizia: “Seja bom no que faz e no que diz”. Tenho nessas palavras a base para muitas ações na minha vida e meu objetivo tem sido praticá-las da melhor forma. Não quero ser visto como o profissional que fez um grande show, mesmo porque ele tem os limites de uma realidade mercadológica. Apenas fiz o que aprendi e o que foi possível.

NN - Suas atividades no Brasil e seu sucesso como chef são inquestionáveis. Sente-se realizado com as atividades que desenvolveu?
Laurent - Estou vivendo um momento de questionamento em que preciso reavaliar uma série de questões. Sou um idealista, acredito muito nas coisas e, muitas vezes, elas não funcionam como se espera, existem outros fatores que acabam por interferir no trabalho que se gostaria de desenvolver. Ao mesmo tempo, penso que o fato de eu ter conquistado tantas coisas neste País deve ter um significado maior. Acabando esse concurso quero ponderar bem e então definir os próximos passos de minha vida profissional.