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A dieta vegetariana
ganha cada vez mais adeptos e os nutricionistas precisam estar bem
informados sobre o assunto. Apesar de pouco discutida no Brasil,
a nutrição vegetariana produz muito material científico
no exterior. Conhecer os avanços e peculiaridades desta área
é condição essencial para bem atender a esta
população, respeitando seus hábitos diferenciados.
Reconhecendo a demanda por produtos especializados, a indústria
já se desenvolve, atendendo a este crescente filão,
e muitas oportunidades ainda existem.
Quem
são
Vegetarianos são aqueles que se abstêm do consumo de
qualquer tipo de carne animal, inclusive peixes e frutos-do-mar.
As três principais categorias são: os ovo-lacto-vegetarianos,
que consomem ovos e laticínios, os lacto-vegetarianos, que
consomem laticínios e os vegans ou vegetarianos puros, que
não consomem qualquer produto de origem animal, inclusive
gelatina e mel. Os vegans vão além da questão
alimentar, abstendo-se também do consumo de lã, couro
e cosméticos que contenham derivados animais ou que tenham
sido testados em animais. É a forma mais completa e mais
rara de vegetarianismo, apesar do número de praticantes vir
crescendo nos últimos anos. Aqueles que consomem carne de
peixe ou frango, mesmo que esporadicamente, não podem ser
definidos como vegetarianos. Estes são chamados de semi-vegetarianos.
A população
vegetariana é bastante heterogênea, tanto no que diz
respeito aos motivos que levam o indivíduo a fazer a mudança
alimentar quanto na diversidade de hábitos que dela resultam.
A diversidade destas motivações e expressões,
conjugada com as influências culturais dos países ou
populações onde o vegetarianismo ocorre, cria um universo
bastante diverso para ser estudado e compreendido. É possível
encontrar vegetarianos que são motivados por questões
éticas ou de saúde, ambientais ou espirituais (veja
o quadro ao lado). Em cada um destes grupos, existem desde aqueles
que consomem ovos e não se importam em utilizar couro, até
aqueles que consomem apenas os frutos das plantas, para que a planta
não tenha que ser morta para lhe servir de alimento. A esta
diversidade, podem ainda ser incorporados conceitos religiosos (como
o kosher dos judeus) ou energéticos (como os da macrobiótica
e tantas outras linhas orientais), que, com suas peculiaridades
dietéticas, tornam a dieta mais complexa e a orientação
nutricional mais especializada.
É
preciso conhecer
Todos aqueles que pensam em adotar uma dieta vegetariana devem fazê-lo
após consultar um profissional especializado para orientar
sua transição e manutenção alimentar.
Para tal, os profissionais que pretendem orientar um paciente vegetariano
devem estar bem informados sobre o assunto, entendendo suas necessidades,
respeitando seus hábitos e conhecendo as vantagens e pontos
fracos dos diferentes tipos de dietas vegetarianas. Aqueles que
não estão dispostos a estudar o assunto devem encaminhar
seus pacientes a colegas especializados.
Para orientar
esta população tão diversa e, freqüentemente,
consciente e dedicada aos seus hábitos alimentares não
basta saber que há algum risco do vegetariano desenvolver
uma anemia se tais alimentos não receberem atenção
especial, que o tahine e o broto de alfafa se destinam ao consumo
humano e ainda dominar as 85 formas diferentes de se preparar o
tofu (queijo de soja). É preciso também entender suas
motivações e anseios, pois cada vegetariano tem um
hábito quase único e, se o nutricionista não
compreender os conceitos que estão por trás de suas
opções alimentares, sua orientação não
será aproveitada.
Cuidado
com os Mitos
Qualquer indivíduo, em qualquer fase da vida pode ser vegetariano.
Mulheres grávidas, lactantes ou na menopausa, idosos, recém-nascidos
e atletas podem todos ser vegans, se assim desejarem. É apenas
uma questão de balancear a dieta vegetariana para atender
as necessidades de cada grupo (como acontece com as dietas onívoras)
e esta é a função do nutricionista. A função
desse profissional, respeitando a opção do paciente,
nunca deve ser a de desencorajar ou propagar mitos comuns mesmo
entre os profissionais da saúde.
O paciente vegetariano
que procura um nutricionista não quer saber se a dieta vegetariana
é saudável, mas como fazer para que ela seja balanceada.
Tentar convencê-lo de que sua escolha é nociva ou até
mesmo desencorajá-lo será perda de tempo, pois ele
provavelmente já tem convicção de sua escolha,
conhece vegetarianos que são netos de vegetarianos, concluindo
apenas que o nutricionista está mal informado e nada mais.
Esta atitude não é rara e em nada contribui para a
saúde do indivíduo, que espera do profissional uma
informação qualificada e imparcial.
Os nutricionistas
que trabalham em serviços de alimentação podem
pedir para a pessoa fazer uma lista dos alimentos que não
consome, incluindo os motivos que a levam a não fazê-lo.
Se ela tiver livros ou textos que expliquem sua filosofia alimentar
(livro da igreja, folheto da organização vegetariana
contendo orientações sobre a dieta), estes poderiam
ser emprestados para melhor entender suas motivações
e peculiaridades dietéticas.
Saber quais
alimentos consome habitualmente (se faz questão de alimentos
integrais, se enfatiza alimentos crus, se aceita tofu, salsichas
de soja e outros análogos da carne) também ajuda no
planejamento dos cardápios especializados que serão
oferecidos.
No caso de restaurantes
comerciais, a nutriVeg, empresa dedicada à consultoria em
nutrição vegetariana, desenvolve cardápios
vegetarianos e também oferece um selo que atesta a adequação
dos pratos servidos aos diferentes tipos de dieta vegetariana.
(*) O autor é nutricionista e diretor da nutriVeg Consultoria
em Nutrição Vegetariana. Ele se dedica à pesquisa,
consultoria e aconselhamento na área, como a orientação
de pacientes vegetarianos, condução de investigações
científicas em grupos vegetarianos e desenvolvimento de serviços
voltados a melhor atender às necessidades desta população.
Ele ministra cursos e palestras e atende em seu consultório
em São Paulo.
Contato:
(11) 3884-1731 nutriveg@terra.com.br
Para saber mais, visite o website www.nutriveg.com.br
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