Entrevista:Rosane Maria do Nascimento, Presidente do Conselho Federal de NutriçãoOs Profissionais e a Qualidade de Vida |
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No mês em que se homenageia o nutricionista, Nutrinews entrevista a Dra. Rosane Maria do Nascimento, presidente do Conselho Federal dos Nutricionistas, profissional com atuação nas áreas de alimentação institucional e nutrição clínica, o que lhe dá uma visão bastante ampla dos espaços de ação do profissional da área. Formada em 1978 pela Universidade Federal de Pernambuco, trabalha em Brasília desde 1999. Foi uma das fundadoras do Sindicato dos Nutricionistas do Distrito Federal e participou de diversas entidades representativas da classe. Sua trajetória de vida é marcada pela participação em movimentos profissionais e sociais, o que a torna pessoa adequada para falar sobre a área de nutrição no Brasil.
NN - Como está o mercado de trabalho do nutricionista? Houve expansão nos últimos anos?
Dra. Roseane - Podemos afirmar que o mercado pode ser expandido com a ocupação do nutricionista em todos os setores, seja o de prestação de serviços ou institucional. As novas áreas que estão surgindo são aquelas na indústria de alimentos, hotelaria, gastronomia e personal diet. Áreas importantes também estão se abrindo, relacionadas com a atenção básica à saúde na implementação das políticas nacionais de saúde e educação, a exemplo de programas como Bolsa Alimentação e Merenda Escolar, dentre outros. A área de ensino também tem gerado uma demanda por profissionais para atender ao crescimento do número de novas escolas. São oitenta e uma novas unidades, nos últimos cinco anos.
NN – O tema alimentação tem sido bastante pesquisado e explorado pela mídia, é comum artistas divulgarem suas dietas, nem sempre adequadas e corretas, mas o público muitas vezes toma como referência e adota. Existem também dietas que entram na moda, livros sobre o assunto que surgem a todo instante e, posteriormente, se descobre problemas decorrentes das falhas desses novos métodos. Como a senhora vê essa questão e como o profissional de nutrição pode atuar para esclarecer o público?
Dra. Roseane - O tema alimentação, especialmente as dietas para perder peso, sempre desperta curiosidade na população. Por isso, estamos presenciando o crescimento de entrevistas e depoimentos em diversas revistas sobre o tema, pois ele “vende” muito bem. A sociedade anseia por uma alternativa milagrosa para a redução de peso e a busca por uma “fórmula”, mesmo que por meio de dietas exóticas, é infindável. A cada dia surgem novos métodos que não ultrapassam a fase do marketing e são ineficazes quando não acompanhados de dietas adequadas. Alertamos a população sobre o uso de dietas inadequadas às condições de cada indivíduo, que podem causar sérios riscos à saúde. Freqüentemente realizamos exposições sobre esse assunto em feiras, congressos, em nossa home-page e na Revista do CFN.
NN - Atualmente, o tema “qualidade de vida” está presente em várias áreas e a alimentação está diretamente ligada a essa preocupação. Quais as atitudes que o profissional de nutrição pode ter para transformar este momento em maior benefício para a população? Em quais áreas da nutrição os profissionais podem atuar mais diretamente para colaborar com a melhoria da qualidade de vida?
Dra. Roseane - Após todas as conquistas da humanidade e com a chegada do terceiro milênio, temos constatado a preocupação das pessoas com a qualidade de vida. Isso tem gerado uma consciência ambiental e a busca por hábitos e estilos saudáveis, onde a boa alimentação desponta como prioridade, podendo determinar a longevidade e a qualidade de vida. Nesse contexto, o nutricionista passa a exercer um papel fundamental na sociedade. Por um lado se beneficia dos processos tecnológicos na área de alimentos, por outro necessita da devida orientação para o seu bom usufruto, especialmente quando a atuação do profissional é voltada para a segurança alimentar abrangendo o acesso, a produção, a rotulagem, o armazenamento, a produção e o consumo dos alimentos nos aspectos sanitários e nutricionais que envolvem a cadeia alimentar. A participação do nutricionista na política pública de saúde é fundamental para garantir à população em geral informações sobre alimentação saudável, entendendo política pública como qualquer ação voltada para a promoção, prevenção e preservação da saúde da população. O reconhecimento do seu papel de profissional de saúde e a valorização da sua atuação nos setores empresarial e institucional, também são fundamentais.
NN - Quais conquistas significativas o profissional de nutrição obteve nos últimos anos?
Dra. Roseane - Temos nos articulado com os nutricionistas dos países do Mercosul desde 1996, quando foi criado o Comitê de Nutricionistas do Mercosul-CONUMER. Já foram realizadas nove reuniões do Comitê, onde se discutiu o exercício profissional, as legislações trabalhistas, a prestação dos serviços dos nutricionistas, a organização da categoria, das entidades de classe e os aspectos da formação dos profissionais dos países que compõem o CONUMER.
NN – O que o CFN tem feito pela categoria?
Dra. Roseane – O CFN tem como sua principal atuação a articulação com entidades e instituições afins para garantir a inserção dos nutricionistas nos espaços que lhe são de direito. Buscamos, ainda, orientar e normatizar para que o sistema CFN/CRN possa atuar correspondendo aos anseios da categoria.
NN - O que diria para aqueles que ingressam hoje no mercado de trabalho? Dra. Roseane - Que sejam bem-vindos ao nosso meio. A graduação é um marco, mas consiste no início de todo o processo de necessidade de atualização constante, de forma a assumir o desafio de uma ação ética e competente. NN - Quais as perspectivas para o nutricionista e qual a postura adequada para o futuro?
Dra. Roseane - O desafio do mercado está lançado e precisamos estar sincronizados, profissionais e entidades, para ocupá-lo. A força política das entidades representativas dos nutricionistas depende em maior ou menor grau do respaldo dado pelos profissionais. Não se faz mobilização social com heroísmo. As mudanças são construídas no cotidiano por pessoas comuns, que se dispõem a atuar coletivamente visando a alcançar propósitos compartilhados. Portanto, precisamos contar uns com os outros: entidades, profissionais e empresas para fazermos o nosso futuro.