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Chamado
de “azeite bom” pelos imigrantes europeus, o azeite de oliva delicia os
amantes da gastronomia e traz benefícios comprovados à saúde justificando
a fama de “bom moço” na alimentação.
Numa
época onde se fala muito em alimentos funcionais, sendo que alguns são
até desenvolvidos em laboratório graças à utilização da engenharia de
alimentos, o azeite de oliva talvez seja o mais antigo produto que atende
naturalmente aos requisitos dos funcionais, revelando-se hoje, à luz da
ciência, um ingrediente bastante saudável e indispensável em dietas que
contribuem para evitar as doenças mais comuns do mundo moderno.
Estudos
comparativos realizados em povos mediterrâneos, que utilizam fartamente
o azeite de oliva em suas dietas, revelaram um índice claramente menor
de mortalidade por infarto do miocárdio em relação à população do norte
da Europa e América do Norte. Comprovou-se que essa proteção não está
ligada à diversidade genética, já que italianos e gregos que emigraram
para a América do Norte e se adaptaram aos novos hábitos alimentares,
acabaram por perder essa proteção e ficaram expostos às doenças cardiovasculares
na mesma proporção que os americanos.
A
ingestão de frutas e hortaliças, como brócolis, vegetais verdes e tomates,
associada ao uso do azeite podem evitar o desenvolvimento de tumores malignos.
Médicos que estudam os benefícios da Dieta Mediterrânea, considerada como
uma das mais saudáveis atualmente, afirmam que a adesão a esse tipo de
alimentação pode reduzir a incidência de três tipos de câncer: o coloretal
em até 25%, o de mama em cerca de 15% e o de próstata, em torno de 10%.
“Inúmeras
pesquisas indicam que o azeite de oliva é um dos principais elementos
da dieta Mediterrânea” explica Sueli Longo, nutricionista e presidente
da Comissão Brasileira de Cardiologia. “Porém, vale lembrar que constam
também da alimentação deste povo alimentos ricos em fibras, peixes e vinhos,
ricos em ômega 3, pouco açúcar e pouco sal. Apesar de concentrar propriedades
valiosas que colaboram para a boa saúde, o azeite sozinho não faz milagres”,
afirma.
Bem
para o coração
Pesquisas
comprovaram que a alta incidência de doenças cardiovasculares relacionadas
à alimentação, levaram à conscientização do público consumidor, gerando
um mercado bastante atrativo para os produtos light, com menor teor de
gordura, principalmente para o controle do colesterol do organismo.
Está
comprovado que gorduras animais contém colesterol em graus variáveis.
Nesse aspecto, foi descoberto que o azeite de oliva também contribui bastante
para a manutenção dos níveis saudáveis de colesterol. Trabalhos realizados
demonstram que o uso a gordura mono-insaturada existente no azeite de
oliva diminui o LDL, colesterol considerado danoso ao organismo, e aumenta
o HDL, que protege e estimula a eliminação de colesterol pela bilis.
Daniel
Magnoni, Cardiologista e Médico Nutrólogo do Hospital do Coração de São
Paulo explica que o processo de produção do azeite de oliva, em que o
óleo é extraído do fruto a frio, diferente dos demais que vêm da semente
e são refinados por aquecimento, preserva as substâncias antioxidantes
de grande valor na prevenção da arteriosclerose e na origem de tumores.
Para
as mulheres preocupadas com a aparência, o produto apresenta uma vantagem
a mais pois é considerado um dos elementos que retardam o envelhecimento
contribuindo, inclusive, com maior proteção à pele. Alguns povos mediterrâneos
utilizam o produto em cosméticos, como ingrediente da formulação de cremes
para a pele. O professor Bruno Berra, da cadeira de Bioquímica e Biologia
Molecular, da Universidade de Milão, pesquisou os efeitos do azeite no
retardo do processo de envelhecimento e concluiu que a pele absorve os
antioxidantes presentes no produto, protegendo suas camadas mais profundas
contra oxidação e neutralizando os radicais livres.
Inimigos
da saúde, os radicais livres são produzidos por várias razões, entre elas,
pela exposição aos raios ultravioleta e são formados durante a ingestão
de alimentos. Para evitar que produzam efeitos danosos ao organismo, é
necessário que sejam desativados imediatamente através do consumo de produtos
mono-insaturados, como o ácido oleico, principal componente do azeite
de oliva.
A
busca por produtos saudáveis contribuiu para o aumento de 43,75% no consumo
de azeite de oliva no País, de 1996 a 1998. Dados do AC Nielsen indicam
que, em 1999, foram consumidas 23 toneladas de azeite, o que corresponde
a um movimento de US$ 182 milhões. É um consumo ainda pequeno (150 g per
capita, o equivalente a menos de uma xícara de chá por ano), se comparado
a países como Espanha e Itália, que consomem 10 a 12 kg per capita/ano,
e aos gregos, que atingem a marca dos 21 kg. Um dos fatores que, seguramente,
influencia o baixo consumo no Brasil é o preço. O azeite representa 3%
do volume do mercado de óleos vegetais e ao mesmo tempo chega perto de
20% do valor desse mercado.
Para
coordenar o mercado internacional, estimular a produção, o consumo e adotar
normas que assegurem a autenticidade do produto, foi criado, em 1956,
o COI - Conselho Oleico Internacional, uma organização intergovernamental
sediada em Madrid, da qual participam os países produtores e alguns dos
consumidores. A entidade tem uma série de ações para preservar a qualidade
do azeite para consumo, além de promover pesquisas científicas e conferências
sobre o assunto.
No
Brasil, o COI tem procurado mostrar as qualidades gastronômicas do produto,
as vantagens para a saúde e dá apoio à Associação Brasileira de Produtores,
Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira, criada em 2001, que
tem entre suas metas divulgar junto aos consumidores e nutricionistas
os benefícios do azeite de oliva, além de fiscalizar a qualidade do produto
no mercado nacional, garantindo o cumprimento da legislação relativa à
rotulagem e combater a fraude.
Existem
vários tipos de azeites de oliva, cada qual com sua característica, que
varia de acordo com o país produtor, tipo de colheita, seleção e modo
de produção. Alguns são feitos com azeitonas ainda verdes, o que lhes
atribui um sabor mais ácido, outros produzidos com olivas maduras e possuem
um sabor mais doce, macio ou frutado. Existem ainda aqueles com sabores
mais exóticos, como os da Tunísia e Israel.
Com
tanta variedade de sabores, certamente existe o mais adequado para cada
tipo de prato a ser preparado, cujas características você pode conferir
no quadro da página anterior. Existem ainda os tipo macerados, utilizados
em um determinado tipo de prato, que vão para a prensagem juntamente com
algum tipo de erva, como manjericão, alecrim, estragão, entre outras.
Os
diversos tipos de azeites podem ser encontrados em empórios especializados
em fornecer produtos para os amantes da boa mesa. Recentemente, foi inaugurada
nos bairro dos Jardins, em São Paulo, uma butique de azeites, a Oliviers
& Co., da tradicional empresa de mesmo nome na França. A loja possui uma
seleção de azeites de oliva, que passam pela aprovação de especialistas
antes de serem comercializados, além de produtos derivados, como os tapenades,
uma pasta à base de azeitonas, biscoitos e pimentas como as da costa do
Marfim ou da Índia, que acompanham bem um bom azeite.
O
milenar azeite de oliva merece o papel de destaque que tem na preparação
de pratos, tanto os mais simples como requintados, afinal poucos produtos
são tão reverenciados pelos gourmets e têm tanta aprovação por pesquisas
e profissionais da saúde.
O
sabor característico de cada azeite é colocado no que se denomina
de nota sobre o produto.
Veja
a relação abaixo e conheça melhor as variedades do produto
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| Origem |
Nota |
Indicação
Culinária |
| Peloponesia–
Grécia |
maçã
verde, pimenta do reino, alcachofra |
Salada
de tomate, queijo de cabra e alcachofra legumes cozidos |
| Andalousia
– Espanha |
agrures
(laranjas, tangerinas e limões) e goma de cássis |
Peixes,
massas e sobremesas |
| Tunisia |
Amendoins,
pão grelhado e tomate verde |
Pratos
cozidos, legumes cozidos e e tomate verde peixes grelhados. É excelente
no preparo de escabeche de grão de bico com beringela, ravioles com
pinhão e cogumelo |
| Itália |
pimenta
do reino, nozes, grelhados e folha de tomate |
Legumes cozidos, carne, peixe grelhados e folha de tomate grelhado.
Muito usado em guisado de bacalhau desfiado e sopa gelada de melão
com estragão |
| Marosque
– França |
amêndoa
tilia |
Carnes
brancas, legumes e salame |
Referências:
Dr.
Daniel Magnoni - Fone: (11) 3887-6615
Dra.
Sueli Longo – Fone: (11) 3845-6340
Olivers
& Co. - (11) 3088-0088
Fotos:
Olivers & Co
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Lendas
e Histórias
Muitas
lendas citam as oliveiras e o próprio azeite. Contam os gregos que
na disputa pelas terras do que é hoje a cidade de Atenas, o deus
Possêidon fez brotar, com um golpe de seu tridente, um belo e forte
cavalo e que a deusa Palas Atenas trouxe uma oliveira capaz de produzir
óleo para iluminar a noite, suavizar a dor dos feridos e capaz de
ser alimento precioso, rico em sabor e energia. Já os italianos
contam que Rômulo e Remo, descendentes dos deuses e fundadores da
cidade de Roma, viram a luz do dia pela primeira vez debaixo dos
galhos da oliveira.
O
fato é que o azeite vem fazendo parte da alimentação do homem há
muito tempo. Segundo conta a história, a oliveira tem origem entre
o sul do Cálcaso, nos altos planos do Irã e no litoral mediterrâneo
da Síria e Palestina. Mais tarde, expandiu-se para o Chipre e Anatolia
de um lado e Creta e Egito, do outro.
Os
vestígios mais antigos das oliveiras são encontrados em restos fossilizados
na Itália, no Norte da África, pinturas em rocha nas montanhas do
Saara Central, com origem entre quinto e segundo milênio a.C, em
relevos e relíquias da época minóica em Creta (3.500 a.C), além
das granalhas trançadas de oliveira vestidas por múmias da XX Dinastia
do Egito.
O
azeite não era usado somente como alimento pelos povos antigos,
mas também para iluminar. Lamparinas, do tipo das histórias de Aladdin,
eram abastecidas com azeite para iluminar os lares de muitos povos
da antiguidade.
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Oliveiras
e modo de produção
A
oliveira é uma árvore robusta e a poda deve ser adaptada à idade
da árvore, sendo este um do principais aspectos da cultura das oliveiras.
A hora mais indicada para a colheita é quando não existem mais azeitonas
verdes na árvore e os processos vão desde o manual ao mecanizado.
O bom azeite de oliva é obtido a partir da seleção de azeitonas
saudáveis e inteiras no instante da colheita. Quanto mais cedo as
frutas forem para a prensagem, melhor será a qualidade do azeite,
pois as olivas fermentam rapidamente.
As
azeitonas são batidas para produzir uma massa, que passa por um
processo de centrifugação, o que deixa o azeite limpo para armazenagem
e, logo após, o produto é filtrado antes do acondicionamento. O
azeite de oliva é produzido somente a partir de azeitonas, não podendo
ser usada essa denominação para óleos extraídos por solventes ou
re-esterificação ou misturas com outros tipos de óleos. Os principais
tipos de azeite de oliva usados na alimentação são:
- Azeite de
oliva virgem – Obtido através de processos mecânicos. Dependendo
de suas características e da acidez, pode ser classificado como
extra, virgem ou comum.
- Azeite de
oliva refinado – Obtido pela refinação de azeite virgem que apresenta
alto índice de acidez ou defeitos que serão eliminados no processo
de refinação. Normalmente é misturado com azeite de oliva virgem.
- Azeite de
oliva – É uma mistura de azeite de oliva refinado com o virgem.
Existe
ainda o azeite do bagaço de oliva, constituído de uma mistura de
azeite extraído do bagaço da azeitona por solventes e, posteriormente
refinado e misturado com o azeite virgem.
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RECEITAS
Ravioles
ao queijo fresco de cabra e brócolis
Ingredientes
(4 pessoas)
- massa de
lasanha, fresca ou seca
- 400g de queijo
fresco de cabra
- 1,5 g de
Herbes&Epices “Bouquet de Corse” O&CO.
- 1 ovo
- flor de sal,
pimenta do reino moída na hora
- 300 g de
brócolis
- 2 dl de azeite
de oliva da Córsega, Domaine de Marquiliani, O&CO.
Preparação:
- Passar no
liqüidificador o brócolis com o azeite de oliva, salgando e deixando
de lado, como molho.
- Misturar
o queijo, o ovo e as ervas. Salgar e apimentar. Deixar de lado.
- Amolecer
os retângulos de massa em água fervente, e deixar escorrer.
- Cortar quadrados
regulares na massa. Dispor um pouco de recheio no centro do quadrado
de massa, e dobrar a parte superior, formando um triângulo.
- Banhar os
ravioles em azeite de oliva, salpicando com parmesão.
- Cozinhar
no forno a 180ºC por 5 a 8 min.
Apresentação:
dispor o molho de brócolis no fundo dos pratos. Deitar os ravioles
(6 por pessoa).
Musse
de chocolate batida
Ingredientes
(4 pessoas)
- 250g de chocolate
amargo
- 3 gemas de
ovos
- 6 claras
de ovos
- 100g de açúcar
- 1 dl de azeite
de oliva da Catalunha, O&CO.
Preparação:
- Misturar
as gemas e o açúcar, batendo energicamente com o “chicote” (fouet)
até que a mistura embranqueça. Integrar o azeite de oliva, o chocolate
derretido e misturar bem . Deixar de lado.
- Bater as
claras em neve, misturando delicadamente com a preparação com
chocolate.
- Untar as
terrinas com o azeite de oliva e salpicar o fundo com açúcar mascavo.
- Encher pela
metade as terrinas com a musse de chocolate. Colocar um quadrado
de chocolate no meio e cobrir com musse.
- Cozinhar
no forno a 220º C de 5 a 6 min.
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