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Hambúrguer: O grande conquistador |
Existem criações que parecem estar destinadas ao sucesso. Algumas receitas adaptadas ou inventadas pelo homem têm a característica de atrair apreciadores de várias culturas e uma dessas invenções mágicas é o hambúrguer, um produto que antes mesmo do fenômeno da globalização, já se firmava como um alimento popular em muitos países.
Apesar de sua longa história, foi nos Estados Unidos, na década de 20, quando a cadeia de restaurantes White Castle incluiu o sanduiche em seu cardápio, que iniciou-se a grande escalada de conquista e popularização do hambúrguer tornando-o um ícone da cultura americana no mundo moderno.
Na época, o produto era oferecido por um preço extremamente barato (US$ 0,50) e, apesar do tempero ainda ser considerado fraco, era uma forma de alimentação acessível e rápida, que caiu no gosto dos trabalhadores, principalmente.
Os irmãos Maurice e Richard McDonald, que em 1937, tinham uma lanchonete especializada em servir cachorros quentes, perceberam a forte concorrência do hambúrguer e resolveram investir na popularidade do produto. Mas a idéia de abrir uma lanchonete, onde o diferencial fosse uma organização impecável, rapidez de atendimento, um sanduíche menor e mais barato, só surgiu depois, no ano de 1948, com Ray Crok. A promessa dos proprietários de oferecer "hambúrguer mais rápido para todos" era o apelo de marketing que deu origem ao conceito da refeição rápida ( fast food), cujo sucesso nos tempos modernos dispensa comentários.
Poucas idéias tiveram tantos frutos quanto a dos irmãos McDonald's. Hoje a rede é um dos cinco negócios que mais crescem no mundo, estando presente em 119 países com 27 mil restaurantes.
A identificação do produto com o modo de vida moderno
Com o tempo, o hambúrguer acabou se tornando um produto milionário e algumas razões para esse sucesso são fáceis de detectar. A principal talvez seja a praticidade que o alimento representa nos tempos atuais. O sanduíche, que incorporou vários tipos de acompanhamentos, tem nutrientes que alimentam e o fato de poder entrar numa lanchonete e saciar a fome em poucos minutos combina com o modo de vida que vem se instalando, nos grandes centros urbanos.
Por outro lado, o marketing que o envolve colabora para cativar a cada dia novos consumidores. Para muitas crianças, por exemplo, ir a uma lanchonete e comer um hambúrguer é um programa atraente. Na década de 50 e 60, quando começou sua popularização nas grandes cidades no Brasil, o grande público era formado por jovens interessados em novidades que vinham de fora, especialmente dos EUA e ir a uma lanchonete "americanizada" era um programa para turmas de adolescentes.
Outro hábito introduzido através do hambúrguer e que também se instalou já há alguns anos por aqui, são lojas com atendimento drive-in. A inovação aconteceu na década de 30, como inciativa de um americano do Texas, J. Kirby. Ele pensou nas pessoas que tinham carro e gostavam de conforto e abriu uma loja com esse atendimento diferenciado. Anos depois a moda chegava à Califórnia e se tornou marca típica da cultura americana. Um cidadão em um drive-in, dentro de um carro comendo um hambúrguer, tomando uma Coca-Cola e ouvindo um rock é um ícone perfeito da cultura dos Estados Unidos.
A versatilidade do sanduíche também é um diferencial. Atraindo pessoas de diversas faixas etárias, o hambúrguer pode estar presente tanto nos momentos de trabalho como nos de lazer, como uma opção de refeição rápida que pode ser consumida em qualquer horário, diferentemente de outros alimentos que tem o seu consumo associado a determinado horário. Um exemplo deste tipo de alimento é a pizza, cuja preferência de consumo está muito relacionada ao jantar.
Grandes números em um pequeno sanduíche
E é este motivo, sem dúvida, que faz com que o mais popular dos sanduíches seja alvo de outras redes que tentam dividir o mercado. O Habib's, especializado em comida árabe iniciou a diversificação de seus produtos introduzindo em 1998 o Double Habib's para concorrer com os similares Big Mac e Big Bob. Para esse lançamento a rede investiu R$ 1 milhão em toda a estrutura necessária para que o lanche chegasse ao consumidor com todas as características inovadoras realçadas. Importou, inclusive, um broiler especial que dá ao hambúrguer um sabor que lembra o gosto de churrasco. Os resultados foram excelentes, alavancando a venda de outros produtos, como a batata frita, fiel companheira do hambúrguer, cujas vendas aumentaram 40%.
Na verdade o negócio Hambúrguer gera um volume de vendas de outros produtos e empregos relevantes e os números demonstram esta realidade. Se considerarmos apenas o Big Mac, do McDonald’s, são cerca de 75 milhões de unidades vendidas por ano, no Brasil ! Imagine o que isso significa se considerarmos todos os produtos de todas as redes...
Para se ter uma idéia do que isso pode significar, o McDonald's chegou a calcular o alimento saído de suas cozinhas: são 145 unidades de hambúrguer por minuto, o que equivale a 13 milhões de sanduíches cada vez que a Terra dá uma volta completa em torno de seu eixo. A rede é a maior empresa de refeição rápida do mundo e chega a servir 43 milhões de pessoas por dia.
E o volume de negócios não se prende apenas aos produtos alimentícios. Na busca da padronização e garantia de qualidade a indústria de equipamentos também ganha, pois as grandes redes vem investindo no aperfeiçoamento de suas cozinhas com equipamentos de ponta.
E o sanduíche que nasceu no lombo de um cavalo (ver box) transformou-se em um dos maiores geradores de negócios, tendo caído no gosto das mais diversas culturas. Países com costumes diferentes têm adotado o hábito de hambúrguer com adaptações. Na Índia, por exemplo, utiliza-se carne de carneiro no lugar da bovina; nas regiões onde a religião muçulmana é predominante, a rede McDonald's projeta suas lojas com salões separadas para mulheres solteiras e famílias, cada um com caixas para pagamento e pedido para que não haja encontros não permitidos pelos costumes. Quatro vezes por dia as lojas cessam as atividades para dar lugar ao momento de prece.
De algum tempo o hambúrguer vem despertando a curiosidade e já está conquistando países que estiveram isolados por bastante tempo da influência americana, como a China e a Rússia. O potencial desses mercados em termos populacionais é imenso. Se uma rede hoje já vende 145 unidades por minuto, imagine como poderão ficar esses números se a moda pegar na China? O mercado do hambúrguer vem comprovando que não tem fronteiras e nos faz parar para pensar aonde estará o limite desse crescimento. O assunto dá margens para "futurólogos" tentarem suas previsões na área e tentar responder qual a porcentagem da população do planeta que será alimentada pelo sanduíche: há quem arrisque dizer que esse número já ultrapassou 1 por cento em 1999!!!
A história do Hambúrguer
No século XIII, os cavaleiros tártaros utilizavam uma técnica peculiar para moer a carne dura e crua levando-a na sela de seus cavalos. Após horas de galope o alimento se transformava em uma pasta mais fácil para mastigar. Era o chamado "bife tártaro", que se consumia cru, como ainda se serve em restaurantes, acompanhado de uma gema de ovo também crua. Cinco séculos mais tarde o alimento chegou ao porto de Hamburgo, na Alemanha, onde se incorporou aos hábitos alimentares da população local.
No início do século XIX, imigrantes alemães levaram para os Estados Unidos a receita já adaptada aos seus costumes, que consistia em grelhar a carne levemente com cebolas. No final desse século um dono de restaurante em Washington teve a idéia de colocar o hambúrguer entre duas fatias de pão e transformá-lo em sanduíche.
O hambúrguer no Brasil
A introdução do hambúrguer nos costumes do brasileiro deve-se ao americano Robert Falkenburg, campeão de tênis em Winbledon, que apostou nessa idéia e abriu em 1952, no Rio de Janeiro, a primeira lanchonete que seguia os padrões americanos, o Bob's. Atreladas ao hambúrguer vieram outras novidades como o milk shake e o sundae. O sucesso aconteceu imediatamente,e o Bob's passou a fazer parte da crônica social do Rio e do Brasil. Celebridades da época frequentavam a loja; gente como o compositor Villa Lobos, o músico de jazz Booker Pittman, entre outros, eram frequentadores assíduos do local.
A rede de lanchonetes fez história entre os cariocas e se instalou posteriormente em várias cidades do Brasil. Em 1996, a Brazil Fast Food Corporation passou a controlar a empresa, abrindo seu capital com ações na Bolsa Nasdaq, em Nova Iorque. Nesses quatro anos, a empresa registrou um significativo aumento no número de vendas, passando de 78 para 192 lojas, sendo 131 franqueadas e 61 próprias.
O Bob's, que desde o começo tem como diferencial os temperos mais fortes, adaptados ao gosto do brasileiro, iniciou em maio seu retorno às ruas de São Paulo com a inauguração de sua loja de número 200, na Avenida Paulista. Vários outros pontos de venda serão instalados em outras regiões do País nessa nova fase da rede que promete investir no crescimento e ampliação do número de lojas.
Outra franquia que obteve grande sucesso no Brasil é o McDonald's que em1979 instalou-se no Rio de Janeiro e em 1981, inaugurou sua primeira loja na Av. Paulista, em S. Paulo. Com um trabalho intenso nos últimos 21 anos, e ganhando apreciadores à cada dia, está presente hoje em 12 cidades do Brasil, com 961 pontos de venda, sendo 467 restaurantes e 494 quiosques, chegando a vender 145 hambúrgueres por minuto.
Hoje a rede McDonald's é considerada um dos maiores empregadores do Brasil e grande incentivador da mão-de-obra jovem: 90% de seus funcionários têm menos de 21 anos e para 67% deles é o primeiro emprego.
Números, números, ...
Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial.... Essa música é um sucesso, sendo repetida cerca de 75 milhões de vezes por ano.
Agora, pare para pensar. Cada Big Mac tem 2 hambúrgueres, 22 g de alface, 3 g de queijo, 10 g de molho, 7 g de cebola, 5 g de picles e, lógico, um pão com gergelim. Isso tudo vem em uma embalagem descartável e, normalmente, é acompanhado por uma porção de batata frita (170 g de batata e uma embalagem), 300 ml de bebida (mais um copo descartável e um canudinho), 2 sachês de tempero, uma toalha de papel e, digamos, 4 guardanapos. UFA !!!
Multiplique cada ítem desses por 75 milhões e você verá a importância desse mercado. Isso sem contar o pessoal, uniformes, treinamento, brindes, equipamentos, decoração, utensílios...
E pensar que muita gente só se lembra do hambúrguer ...