Gás: Uma alternativa segura

Com o gradual aumento do custo da energia elétrica e com perspectivas nada animadoras de melhoria do quadro, já se prevê uma crise de escassez nesse setor energético, indústrias e empresas que necessitam de energia na produção de bens de consumo têm procurado estabelecer programas de economia de combustível ou buscar alternativas menos onerosas e seguras. Diante desse quadro, especialistas afirmam que as empresas do setor de alimentação, que investirem em equipamentos abastecidos por gás ou adaptarem seus sistemas para uso desse produto, terão uma redução no custo com energia em torno mínimo 50%.

Em cozinhas industriais ou restaurantes, a opção pelo gás se dá muitas vezes em função de falta de potência elétrica para instalação dos equipamentos, tradição no uso do produto e facilidade de abastecimento. Ainda são poucos aqueles que fazem sua escolha visando a questão da economia.

Mas o panorama brasileiro deve mudar nos próximos anos, principalmente porque muitas alterações estão acontecendo na distribuição de gás e, seguindo uma tendência mundial, as cozinhas de coletividades deverão dar preferência para o uso de equipamentos à gás.

 

Domínio do GLP

No mercado nacional predomina a distribuição do gás GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), com cerca de 90% da indústria, comércio e residências fazendo uso deste tipo de gás. Desde 1995 este mercado está promissor, pois medidas governamentais e incentivo à livre iniciativa resultaram em taxas de crescimento em torno de 5% ao ano.

O GLP, composto por butano e propano, tem a seu favor uma rede de distribuição solidamente construída e esquemas de abastecimento aprimorados. As grandes empresas do setor, na realidade, são apenas distribuidoras do produto que é fabricado pela Petrobrás; 65% do gás consumido aqui é nacional, o restante é importado. Existem no Brasil doze companhias atuando no sistema de distribuição de gás.

A comercialização do GLP passou por muitas mudanças nos últimos 30 anos. Antigamente o consumidor comprava a cota de uma companhia e ficava vinculado a ela para adquirir o gás. Em 1977 esse vínculo deixou de existir e o preço do GLP foi unificado em todo o território nacional. O produto que era subsidiado pelo governo por se tratar de um bem essencial de consumo. No ano de 1991, o subsídio passou a ser dado apenas para o consumo doméstico (botijões de até 13 Kg), tendo sido retirado do setor industrial esse privilégio. Em 1994 foi suspenso esse subsídio e o preço deixou de ser tabelado.

Algumas leis também vieram para garantir a segurança dos usuários - desde o ano de 1997, toda companhia de gás só pode abastecer seus próprios botijões. Dessa maneira preservou-se a conservação dos vasilhames, ficando cada empresa responsável pelo bom estado de seu equipamento.

Com toda essa tradição de atuação no mercado nacional o GLP tem somado algumas vantagens em relação ao gás natural que vem chegando. Para efetuar instalações em áreas industriais, por exemplo, as distribuidoras de GLP já têm uma estrutura montada , com dimensionamento de tubulação e cálculos de consumo/vazão.

Desta forma, a implantação da rede de GLP atinge um custo menor do que o oferecido pelo gás natural, mas isto deve mudar após a construção dos gasodutos deste último, pois com o aumento da oferta o seu custo de implantação também deverá baixar.

Entrega de gás a granel

Algumas companhias procuram aprimorar e diversificar sistemas de distribuição do gás e passaram a oferecer ao mercado consumidor alternativas mais práticas de reposição do produto. A Ultragaz, por exemplo, criou o UltraSystem, um método de distribuição que garante o fornecimento contínuo e ininterrupto, que elimina a necessidade de armazenamento de grandes quantidades do produto na indústria ou no ponto comercial. Para se ter uma idéia, no local o armazenamenyto é feito em cilindros com capacidade para 45 ou 90 kg ou ainda reservatórios importados maiores, indicados para os casos de consumo de grandes volumes.

Neste sistema, o abastecimento nas áreas de cozinha, é realizado por caminhões-tanque a partir de adaptação da tubulação local .Com isso elimina-se a inconveniente circulação de botijões pelas dependências de trabalho e deixa de existir a necessidade daquelas longas baterias de botijões ou cilindros de gás deixam de existir com o novo tipo de distribuição. Como vantagem, há a possibilidade de programar a entrega em horários alternativos, pois o serviço tem atendimento 24 horas.

O método de distribuição da Ultragaz, baseado em tecnologia 100% importada e já bastante difundida no EUA, Canadá, México e alguns países da Europa; permite oferecer ao usuário um serviço personalizado e automatizado, para o setor industrial no geral, e em especial, para segmento de alimentos oferece também eficiência e reposição automática de estoque, além da otimização de espaço, já que os cilindros podem ser instalados em área coberta ou enterrado.

A entrega de gás a granel, desenvolvido para atender o setor industrial deve auxiliar os distribuidores de GLP a fazerem frente à concorrência do gás natural futuramente quando da construção de mais gasodutos, expansão das redes e consequente intensificação do consumo.

A expectativa do mercado é que os grandes consumidores do produto migrem para a alternativa do gás natural. Distribuidores que atendem o mercado de residências, pequenas e médias empresas não serão tão afetados quanto aqueles que suprem grandes consumidores do produto, ainda assim, desses consumidores maiores, passarão a utilizar o gás natural aqueles que estiverem próximos a gasodutos, caso contrário não deverá compensar a troca.

A chegada do gás ecológico

O gás natural é constituído, em sua maior parte, de metano, um hidrocarboneto extraído das profundezas do solo. Assim como o petróleo, é resultado da transformação de fósseis de animais e plantas. O território brasileiro, principalmente a região litorânea, é rico em gás natural. Atualmente são três as fontes de abastecimento: a Bacia de Campos, a de Santos e o Gasoduto Bolívia-Brasil.

Com a expansão da rede de gás natural o custo do produto deverá ser menor que o do GLP, o aumento da oferta do produto deverá provocar também um menor custo desse sistema nas indústrias e pontos comerciais.

As características do gás natural atribuem ao produto uma série de vantagens sobre o GLP: apesar de ter menor poder calorífico, tem a seu favor a diminuição de riscos de acidente, porque dispensa o armazenamento chegando ao consumidor através de tubulação, além disso seu limite de explosividade é mais seguro.

Para se ter uma idéia, enquanto esse limite no gás vindo do metano é de 5% a 15%, o do GLP é de 2% a 11%. Isso significa que pode ocorrer combustão ou explosão em uma sala com apenas 2% de GLP, e não é necessário para isso acender um fósforo, a simples partida do motor de uma geladeira pode detonar uma explosão. No caso do gás natural, por ser mais leve é de fácil dispersão, o que ajuda a evitar a formação de bolsões do produto.

Na questão ecológica: a queima do gás provenitente do metano reduz sensivelmente a emissão de poluentes, os produtos resultantes da combustão são inodoros, isentos de óxido de enxofre e partículas de fuligem, o que evita gastos com sistemas antipoluentes.

A necessidade de alternativas

O momento e as expectativas quanto ao fornecimento de energia elétrica não estão nada promissoras. Está previsto para o Brasil uma crise de abastecimento para os próximos ano, é possível que o problema seja contornado, mas é bom pensar e pesquisar as vantagens de fontes alternativas.

A indústria do alimento, cujo uso da energia geradora de calor é fundamental, conta com a infra-estrutura necessária para se adaptar a essa situação. Os sistemas de distribuição de gás, seja GLP ou natural, estão se aprimorando e os equipamentos, principalmente na área de cozinha, podem ser adaptados com facilidade.

Existe também a possibilidade de combinar o uso da energia elétrica e da proveniente do gás, um estudo de viabilidade e conveniência pode indicar a melhor opção. Para o empresário do setor ou para o profissional que trabalha em projetos de cozinhas é importante estar atento às tendências do abastecimento de energia para poder avaliar as melhores alternativas, do ponto de vista econômico e operacional, disponíveis no momento da compra de novos equipamentos.

Gás também para a agricultura

Na Agrishow - Feira Internacional de Tecnologia Agrícultura em Ação, realizada de 1 a 6 de maio, em Ribeirão Preto, entre vários equipamentos lançados, que incorporam alta tecnologia para o setor, a Ultragaz apresentou uma novidade no mercado brasileiro - equipamentos para queima de ervas indesejáveis utilizando GLP. Os produtos vêm dos Estados Unidos e podem ser utilizados para culturas temporárias como milho e soja ou em culturas permanentes, como uva, laranja e café.

O procedimento de controle de ervas indesejáveis com esses equipamentos já é usada nos Estados Unidos e Alemanha. As ervas são eliminadas com a exposição a altas temperaturas, em que sua estrutura celular é danificada, sem prejudicar a plantação. O alto poder calorífico do GLP associado à facilidade de transporte torna o equipamento prático para o processo.

Uma das vantagens do sistema é a redução do uso de produtos químicos nas plantações, além de evitar intoxicação do aplicadores.

O novo procedimento pode ser utilizado na agricultura orgânica, algumas associações regionais, como a Northeast Organic Farming Association de Nova York, já consideram a queima de ervas daninhas um processo da agricultura orgânica.