Entrevistas - Ed. 177

 


GR muda e ganha em especialização

O ano 2001 chega com grandes e substanciais novidades na GR - Serviços de Alimentação. A empresa, lider no setor de refeições coletivas, está sendo reestruturada de maneira a atender cada segmento do mercado com maior eficácia e mais agilidade em suas áreas de atuação. Almir Ribeiro Neto, Diretor Geral Executivo do grupo, conversou com o Nutrinews sobre estas mudanças e sobre o que o mercado estará ganhando com elas. Confira!

NN - Quais são as mudanças que estão ocorrendo na GR e porque foram necessárias?
Ribeiro - Desde que a GR - Serviços de Alimentação passou a fazer parte do Grupo Compass ingressou numa dinâmica de economia globalizada. Dentro desta estrutura optou-se por atender o mercado através de 5 segmentos distintos, descentralizando nossa atuação no Brasil, assim através de divisões especializadas cada segmento terá condições de melhorar o atendimento aos nossos clientes.

NN - Quais são as novas divisões da GR?
Ribeiro - Temos a B&I - Business and Industrie, responsável pela administração de alimentação para coletividade em empresas e indústrias; a Medirest - que já vem aparecendo na mídia - para atender hospitais e clínicas médicas. A terceira divisão é a SSP - Select Service Partner, que trata das concessões para restaurantes públicos, que deve atender aeroportos, estações rodoviárias e shoppings centers; a ESS - Eurest Support Services, especializada em prestar serviços em locais remotos como plataformas petrolíferas e grandes canteiros de obras. E, finalmente temos a Canteen, especializada no atendimento através de máquinas automatizadas para auto-serviço, as famosas Vending Machines. Cada uma dessas divisões terá uma diretoria própria e independente. Alguns setores serão comuns, como por exemplo, departamento pessoal e compras, mas para a maioria das atividades a meta é a descentralização.

NN - E a marca Atta, deverá continuar?
Ribeiro - Sim, porém como um setor da B&I. Esta divisão atende coletividades de 3 segmentos: o Premium - através da Atta-, ideal para os que buscam através do benefício projetar a imagem da empresa com um serviço de alimentação mais completo e sofisticado; o Standard, que oferece além do básico, maior variedade e mais capricho e o terceiro, por nós chamado de Tradição, para empresas que procuram qualidade em refeições básicas com preços menores. A GR continua com todos os seus serviços. A grande diferença é que agora tem equipes cada vez mais especializadas para atender cada área, o que deverá gerar aprimoramento na prestação de serviço.

NN - Que resultados deverão ser obtidos com toda esta reestruturação?
Ribeiro - O novo desenho da empresa vai acarretar, sem dúvida, maior agilidade e mais proximidade dos clientes. Cada uma das equipes estará especialmente focada em um segmento de mercado. Vamos ganhar em especialização. Serão estruturas menores que devem contribuir para melhorar o desempenho das equipes de cada divisão.

NN - Como está transcorrendo esse período de modificações?
Ribeiro - No final de 2000 tivemos vários encontros para apresentar a nova filosofia, as mudanças que estão acontecendo e ainda devem ocorrer. Nesses contatos buscamos esclarecer nossos fornecedores, clientes, líderes internos e funcionários. A partir de agora, entendemos que chegou a vez de levarmos estes esclarecimentos ao mercado através dos meios de comunicação.

NN - Como será a atuação da GR daqui para frente?
Ribeiro - Com a nova estrutura atingiremos maior agilidade, cada divisão tem suas características próprias e deve buscar as melhores soluções para atender adequadamente cada cliente. Fazer sucesso em restaurantes de shopping ou aeroportos não é a mesma coisa que ser bem sucedido dentro de uma indústria. Cada segmento tem suas particularidades e o que buscamos é a prestação de serviços cada vez mais especializados. Só assim obteremos maior competitividade.

NN - O que muda para os fornecedores?
Ribeiro - Um dos setores que estará centralizado é o de compras. Da maneira como funcionava antes não era possível fazer parcerias mais concretas com fornecedores e a partir de agora isso poderá acontecer. Contratamos um diretor para cuidar da logística de abastecimento, pois pretendemos centralizar grande parte das compras. Essa é uma filosofia da Compass que conta, por exemplo, com um fornecedor de café, o Grupo Kraft, responsável pelo suprimento global desse produto em suas unidades.

NN - Qual a reação aos novos tempos da GR por parte de clientes e funcionários?
Ribeiro - Os clientes estão otimistas pois perceberam que, com uma diretoria totalmente voltada para os interesses deles, poderemos prestar um serviço melhor. Os resultados das mudanças virão rapidamente através da auto-crítica de cada divisão, que poderá agir mais rapidamente na correção de eventuais deficiências. Já os funcionários são os mais entusiasmados, porque sentiram que estas mudanças fizeram com que a estrutura passasse a estar focada no que realmente é fundamental para o trabalho deles. A pessoa mais indicada para encontrar as melhores soluções para a prestação de serviços é, sem dúvida alguma, o gerente que trabalha dentro da unidade e convive de perto com as reais necessidades do público cliente. Apresentar soluções e ter independência para implantá-las será mais fácil agora. O sistema informatizado de administração, por exemplo, atendia tanto aeroportos como restaurantes de empresas, hoje essa abrangência da GR acabou. Os sistemas são menores e específicos para as necessidades de cada área.

NN - Então todos estão motivados para esta nova etapa...
Ribeiro - Sem dúvida. Nos contatos que tivemos com aproximadamente 170 clientes, 400 líderes internos e 120 fornecedores, sentimos uma grande receptividade a este trabalho. A Compass iniciou suas atividades na Inglaterra na década de 90, e rapidamente foi aumentando seus mercados de atuação, expandindo seus serviços para 75 países. Atualmente possui um faturamento da ordem de U$ 18 bilhões no setor de alimentação. O caminho que adotamos hoje, é um caminho já trilhado há anos na Inglaterra, França e Estados Unidos e com ótimos resultados.

NN - Quanto tempo deverá demorar para que essa nova arquitetura administrativa seja implantada completamente?
Ribeiro - Cada etapa terá seu tempo. Apenas para se ter uma idéia, o novo sistema de compras deverá demorar cerca de 3 anos, pois envolve negociações e logística para abastecimento em nível nacional. Já na área de vendas, as reformulações devem levar l ano. É possível dizer que, no máximo em 2 anos, o fundamental estará implantado e a partir daí ocorrerão os ajustes finais necessários. Temos que realizar também uma mudança cultural dentro da empresa. São aproximadamente 15 mil colaboradores que passarão a ver de maneira diferente seu trabalho. No antigo sistema tudo girava em torno de pessoas e agora, no modelo Compass, tudo gravita em torno de processos. Isso vai assegurar a uniformidade de procedimentos entre as unidades, estejam elas localizadas no Ceará ou em Porto Alegre. A grande força da GR atualmente fica com as diretorias de divisão, que possuem autonomia e ganharam poder de decisão para desenvolver trabalhos focados nos interesses dos clientes. O fortalecimento da liderança de mercado deverá ser a consequência desta política, que visa personalização de serviços e maior agilidade no trabalho.

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