Matérias Setembro - 2000 |
|
Nutrir com algo mais é a proposta dos alimentos funcionais
Os consumidores começam a experimentar os frutos de novas formas de se alimentar e manter a saúde na era das novidades científicas e tecnológicas.
Um mercado em crescimento acelerado
Legislação para alimentos funcionais
O sucesso do pão funcional da Unicamp
Uma das palavras que mais ouvimos neste final de século e início de um novo milênio é tecnologia. Inúmeras máquinas e equipamentos com sofisticação que não poderíamos imaginar há 10 anos, hoje são elementos banais de nossa rotina. Nunca a humanidade teve tantos recursos para facilitar suas atividades e melhorar sua qualidade de vida. Em vários setores, verdadeiras revoluções silenciosas de conceitos e hábitos ocorreram e a indústria da alimentação também vem passando por esse processo de evolução. A vida moderna e o ritmo acelerado dos grandes centros urbanos interferiram de maneira a trazer prejuízo na qualidade e nos hábitos alimentares das pessoas. Isso somado à diminuição de atividade física, resultou no crescimento da taxa de ocorrência de várias doenças crônico-degenerativas. Nesse cenário, surgem e já com muita força, os alimentos funcionais, impulsionados pela conscientização das pessoas com sua alimentação, buscando melhor qualidade de vida, associado a uma expectativa de vida maior que a atual. Um questionamento possível, neste caso, é sobre o planejamento econômico do País, tanto em termos de Saúde Pública, quanto em termos de infra-estrutura, pois a população da chamada terceira idade deverá aumentar significativamente.
Um mercado em crescimento acelerado
Os alimentos funcionais, são definidos como produtos contendo em sua composição alguma substância biologicamente ativa, que, ao serem incluídos numa dieta usual, modulam processos metabólicos ou fisiológicos resultando em benefícios à saúde. Esses alimentos vão além de suas funções nutricionais básicas, pois contribuem com a redução de risco das doenças crônico-degenerativas. As primeiras pesquisas de alimentos funcionais tiveram início há 20 anos. No Japão e nos Estados Unidos esse mercado avaliado já movimenta um volume significativo e, especialmente entre os americanos sua procura é grande, pois ajudam a reduzir problemas ligados à obesidade e câncer entre outros. O mercado mundial de funcionais atingiu US$ 70 milhões em 1999, e estima-se que até o final de 2000, chegue a US$ 100 milhões, o que representa 5% da alimentação humana comercializada no mundo. Em consequência da aceitação e necessidade dos funcionais, a indústria de alimentos passa por transformações e as pesquisas apontam componentes como peixes, vegetais, frutas e cereais como as principais fontes fornecedoras para o processamento dos novos produtos. Deles são extraídos compostos, que transformam os alimentos em nutracêuticos, alimentos que possuem também a função farmacêutica, associada aos nutrientes essenciais, modulando funções biológicas. Os principais compostos que vêm sendo pesquisados são os carotenóides, flavonóides, oligossacarídeos, organosulfurados, polissacarídeos, fitosteróis, ácidos graxos de cadeia longa, polinsaturados, saponinas e isoflavonas da soja. Esses novos ingredientes estão cada vez mais presentes na alimentação. Margarinas que colaboram para reduzir o colesterol já incorporam alguns dos novos componentes como os fitosteróis, altos teores de gordura poliinsaturadas e reduzido teor de gorduras saturadas . Outras, introduziram fibras solúveis, que ajudam o bom funcionamento gastrointestinal, reduzindo o risco de tumores. Também produtos com lactobacilos vivos e pães com fibras específicas são indicados para bom funcionamento do aparelho digestivo e prevenção de doenças como o câncer. Na linha de produtos lácteos, leites e derivados possuem o famoso Ômega 3, indicado para o controle do colesterol. Produtos à base de soja também são indicados na prevenção da osteoporose, pois o grão colabora para a reposição de estradiol, hormônio cuja redução na menopausa é a causa do problema ósseo. Os alimentos funcionais representam uma união da farmacologia com a tecnologia de alimentos na busca de uma melhor qualidade de vida, baseada na alimentação. Isso vem sendo reconhecido pelo consumidor moderno, que tem procurado com mais frequência esse tipo de produto nas prateleiras dos supermercados. Evidentemente, esses alimentos não podem ser encarados como uma solução única, mas sim como mais um auxílio que os avanços tecnológicos e cientïficos colocam à disposição.
O sucesso do pão funcional da Unicamp
Alguns profissionais nas universidades brasileiras já começam a desenvolver pesquisas na área de funcionais e alguns já vêm obtendo resultados desse trabalho. Esse é o caso da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da Universidade Estadual de Campinas, onde uma equipe, sob a responsabilidade do Professor Yong Kun Park, resolveu colocar a mão na massa, partindo para a prática. Uma padaria que já atendia as necessidades do Campus há 20 anos, foi transformada em um laboratório de pesquisa e teste pela equipe do Professor Yong, transformando-a em um modelo de tecnologia para a indústria de panificação. Assim, a partir de Abril de 2000, nasceu a Padaria da Saúde, fabricando pães com ingredientes funcionais, baseados e quitosana e soja, que auxiliam a prevenir colesterol, e outros pães que utilizam fibras e sementes, que beneficiam o funcionamento gastrointestinal. O empreendimento foi um sucesso tão grande que acabou por gerar mal entendidos. A novidade foi muito divulgada pela mídia, atraindo pessoas de outras localidades que buscavam o produto na Unicamp, às vezes atribuindo até funções milagrosas aos mesmos. Por isso, o Professor Yong deixa bem claro: "Não se deve confundir alimento funcional com remédio. O produto funcional procura evitar o surgimento de doenças crônicas. Existe uma grande diferença entre curar e prevenir". Os profissionais da FEA também procuram pesquisar alimentos abundantes no País, como a soja, para possibilitar custos mais baixos do produto final. Dessa maneira fica mais fácil atingir uma parcela maior da população com os benefícios do alimento. Esse princípio norteou a produção da Padaria da Saúde. Os pães fabricados lá, usam a soja como elemento básico. Segundo o Professor Yong, são produzidas 30 milhões de toneladas de soja no Brasil, 10 vezes mais que o trigo. Caso esse grão seja utilizado, o produto final terá um custo muito menor. E acrescenta: "muitas empresas estão se interessando por nossas pesquisas, pois existe uma tendência mundial de redirecionamento de posição para a área de alimento funcional. O Brasil ainda está incipiente nessa área. Temos na Unicamp o Centro de Pesquisas em Tecnologia de Extrusão, com laboratórios de processamento e controle de qualidade de cereais, raízes e tubérculos. Este é o único centro do gênero existente no Brasil, e vai desenvolver projetos de produtos que possam conter alimentos funcionais". A equipe da Unicamp estará presente na I Feira Internacional de Tecnologia da Alimentação, que acontecerá de 29.11 a 01.12, no Mart Center, onde montará uma padaria modelo com 98 m2, lançando novos produtos, que o Professor Yong garante, serão relevantes na área de alimentos funcionais.
Entre os produtos funcionais lançados recentemente estão as margarinas. Alguns fabricantes têm introduzido ingredientes que agregam funções específicas a este alimento. Muitos poderão usufruir desses benefícios, já que pesquisas indicam que a margarina está presente em 97% dos lares brasileiros, e movimenta uma média de R$ 900 milhões por ano. A Sadia lançou a Qualy Fibra, que contém fibras solúveis, extraídas da seiva da acácia, uma árvore africana encontrada no Senegal. O ingrediente misturado à margarina não apresenta textura granulosa e mantém a cremosidade do produto. Para obter esse resultado a seiva é tratada, purificada, desidratada e transformada em um composto. As fibras solúveis são, geralmente, encontradas em frutas, algas e seivas de algumas plantas e tem a característica de estimular o desenvolvimento de microorganismos desejáveis da flora intestinal. Uma porção diária de 25 g do produto equivale a uma colher de sopa de farelo de aveia. Outro lançamento na linha de margarinas chegou ao mercado com características inovadoras - a Becel Pro-Activ, ajuda a promover níveis saudáveis de colesterol em três semanas. Desenvolvida pela Unilever e produzida pela Van den Bergh, o produto é enriquecido com fitosteróis, que inibem a absorção de colesterol no intestino delgado e reduzem as frações do colesterol LDL (ruim), enquanto o HDL (Bom) permanece inalterado. Estudos realizados com o produto Becel revelam uma redução do colesterol LDL numa faixa entre 10% e 15%. O fitosterol é um componente natural, extraído de óleos vegetais, e suas funções são pesquisadas .há 40 anos.
![]()
Rua Batista da Mata, 45 - Alto de Santana
CEP 02404-100 - São Paulo - SP
Contato com Nutrinews:
Fone (+55-11) 6973-4057
FAX (+55-11) 6959-3356