Cesta de alimentos acompanham as mudanças sociais

 

Com o mesmo valor nutricional original; mantendo o mesmo peso (25kg) e os preços praticados, as atuais cestas de alimentos retratam a preocupação das pessoas por uma melhor qualidade de vida com alimentos cada vez mais saudáveis e fáceis de preparar.

A cesta de alimentos básicos está mudando seu conceito e se modernizando. O benefício regulamentado pelo PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) está acompanhando as mudanças nos hábitos alimentares do brasileiro, que passou a exigir produtos com rico valor nutricional e, ao mesmo tempo, práticos no preparo. A constatação é da Abracesta (Associação Brasileira dos Produtores e Distribuidores de Cestas de Alimentos Básicos ao Trabalhador), entidade que reúne as empresas do setor.

Encarada durante anos apenas como uma garantia de alimentação para os trabalhadores, a cesta de alimentos conquistou um público amplo e exigente, ao ser incrementada com produtos mais sofisticados e muitos semi-prontos. Com isso, tornou-se comum os próprios empresários consumirem a cesta que entregam aos seus funcionários. A consolidação deste novo conceito das cestas de alimentos tornou-se possível graças a união das principais características da cesta, aliadas à praticidade. Isso porque a cesta continua fiel em relação aos valores nutritivos dos produtos, ao seu peso (25kg) e também aos preços.

De acordo com informações dos fabricantes, não foram alterados as características principais das cestas de alimentos: o valor nutricional, assim como o peso, de 25kg, e os preços continuam sendo oferecidos da mesma maneira.

Mulheres: Participação Efetiva Para As Mudanças

De acordo com a Abracesta, as mulheres tiveram grande influência na evolução e "sofisticação" da cesta de alimentos, pois partiram delas as primeiras solicitações de produtos diferenciados. Com isso, os produtores de cestas passaram a incluir artigos como sopa, polenta e purê de batata semiprontos, pó para sobremesas, farofa temperada, creme de leite e aveia. Outros itens, como salsicha e sardinha em lata, estão sendo substituídos, já que não têm mais aceitação do grande público.

Menos Arroz Com Feijão

O presidente da Abracesta, Simon Bolívar Bueno, é um dos defensores da idéia de que a cesta de alimentos tem totais condições de consolidar uma nova imagem entre os consumidores, desde que prossiga acompanhando a diversificação da dieta do brasileiro, que está comendo menos arroz e feijão.

"Há dez anos, nós consumíamos dez milhões de toneladas de arroz, e esse número não subiu, apesar do aumento da população. Isso significa que criamos novos hábitos alimentares, e a cesta está absorvendo essa mudança, com o incremento de novos produtos, sem prejudicar a determinação do PAT, que é garantir ao trabalhador um número mínimo de calorias em uma refeição diária", avalia Simon Bueno.

Mudanças Também São Regionalizadas

Uma cesta de alimentos padrão contém 10 quilos de arroz, três a quatro quilos de feijão, três a quatro latas de óleo de soja, quatro quilos de açúcar refinado, dois pacotes de macarrão, café e outros produtos. Algumas adaptações são implantadas conforme a região do país: rapadura e farinha de mandioca crua para o Nordeste; mate e açúcar cristal para o Sul e assim por diante.

Segundo os dados do PAT, 1,5 milhão de trabalhadores recebem exclusivamente a cesta como complemento alimentar, e pelo menos mais 1,5 milhão ganham-na como segundo benefício. Há ainda a produção destinada a empresas não cadastradas no PAT e consumidor final. No total, estima-se que o mercado de cestas de alimentos gire em torno de 3,5 milhões de unidades mensais, faturando mais de R$ 1 bilhão por ano.