Versatilidade e praticidade atraem consumidor de aves

As aves entraram, definitivamente, para o cardápio diário dos brasileiros. A versatilidade e as conveniências agregadas ao produto contribuíram para expansão de consumo do produto.

 Um alimento que conquistou espaço considerável na mesa dos brasileiros nos últimos anos – a carne de aves, principalmente, o frango, demostra através das iniciativas de criadores e da indústria de processamento que sua versatilidade ainda tem muito o que ser explorada.

Um conjunto de fatores fizeram com que o consumo de carne de frango aumentasse significativamente, entre eles, a modernização das técnicas de criação, a boa aceitação desse produto no exterior e, a adequação da indústria às mudanças de hábitos dos consumidores.

A busca de uma melhor qualidade de vida também influenciou o aumento de demanda desse tipo de carne, criando novos hábitos alimentares, onde o frango e demais aves figuram como alternativas para ingestão de menos gordura. Preocupada em reduzir os riscos de doenças provocadas pelo colesterol e procurando controlar o peso, o consumidor passou a utilizar mais as carnes, denominadas brancas, em lugar da carne bovina na sua alimentação cotidiana.

O custo inferior do produto, em relação à carne bovina, também contribuiu para incentivar o uso das aves nos cardápios domésticos, de restaurantes e dos fast food.

O crescimento do mercado de aves pode ser medido em números expressivos. O consumo per capita de carne de frango, que em 1970, era de 2,3 kg, passou em 1999, para 24,4 Kg, e estima-se que o ano de 2000, deva encerrar com 26,7 kg. Trata-se de um aumento significativos, mostrando que as estratégias utilizadas até agora estão dando certo.

Inovando para conquistar

E criatividade para atrair os consumidores é o que não faltou aos frigoríficos e empresas do setor nos últimos anos. Aquela ave encontrada apenas inteira antigamente em avicolas de esquina, no decorrer de 30 anos, passou a ser oferecida em formas variadas e atrativas, para facilitar tanto consumidores domésticos, como o segmento de foodservice.

Os dois pontos que favoreceram este desenvolvimento foram a exportação do produto para outros países com modo de vida mais moderno, que exigiam maior rapidez no preparo do alimento; e a própria mudança do perfil do consumidor brasileiro, que também passou a buscar mais praticidade.

Uma das primeiras alterações começou pelo corte, o produto passou a ser disponibilizado em partes divididas, posteriormente, vieram as opções de compra de aves desossadas e sem pele.

Mais tarde, o mercado aceitou bem as carnes de frango , ainda in natura, porém com tempero seco. A partir do sucesso das primeiras inovações, as empresas introduziram uma série de alternativas que têm se incorporado rapidamente aos hábitos de consumo.

Esse primeiro passo, a introdução do tempero seco, deu início ao lançamento de outras gerações de produtos com valores agregados cada vez mais sofisticados, e que têm conquistado novas fatias de mercado.

O uso de tecnologia de ponta nos cortes e na preparação dos alimentos, acrescentados de rigorosos métodos de controle da higiene na produção e estudos do paladar dos consumidores permitiram chegar aos produtos temperados com molhos, em embalagens que podem ir ao forno comum ou microondas. Foram criadas várias opções de condimentos para agradar os mais diversos paladares.

Empresas do setor, como a Ad’oro, de olho nesse mercado, tem pesquisado exaustivamente novos temperos que derrubem possíveis resistências do consumidor a esses produtos. Após estudos e parceria com fornecedores a Ad’oro desenvolveu produto preparado em vinho branco seco, que além do sabor trazem maior maciez e suculência ao frango.

A Sadia, por sua vez, que já possui a linha de marinados com diversos tipos de molhos, faz estudos para lançamento de frangos temperados segmentados por região, afinal a empresa atende vários estados do País, e cada população tem preferências e características de paladar diferentes a serem conquistados.

Empanados e porcionados

As novidades não param e a todo momento o consumidor tem novas alternativas, aumentando a variedade de formas de preparo rápido do frango. Os empanados e os nuggets têm ganhado espaço na mesa do dia-a-dia. Essas linhas de produtos caíram no gosto, especialmente, das crianças, fazendo com as empresas investissem em embalagem e formatos direcionados, para atrair o público infantil.

Outra conveniência econômica agregada a alguns produtos é a possibilidade de escolha do quanto se vai usar, para isso colaboram as embalagens planejadas, as IQF (Individually Quick Frozen), que trazem o alimento porcionado individualmente, assim o consumidor usa parte do produto e guarda o restante no congelador, sem que haja contato manual que possa vir a prejudicar o alimento.

Agilizando o churrasco

Até os amantes de um bom churrasco foram favorecidos! Adotando uma nova maneira de preparo, a Sadia lançou a Linha Grill, que inclui aves, com um diferencial que deve atrair este público – coração, coxa e sobrecoxas de frango congelados acondicionados em embalagens práticas, dispostos e alinhados na posição ideal para espetar, facilitando a montagem dos espetos sem contato manual com o alimento. Um filme encolhível, que compõe a embalagem pode ser descartado após o preparo.

Foodservice

O mercado foodservice é um dos grandes beneficiados dos avanços no atendimento às necessidades de agilizar o preparo de pratos. Para esse segmento as empresas criaram linhas de produtos que facilitam a rotina nas cozinhas de restaurantes e lanchonetes.

Esse segmento também utiliza carnes que já vêm cortadas e temperadas, porém o tempero utilizado pelos frigoríficos nesses casos, possui apenas condimentos básicos e suaves para que os chefs ou cozinheiros possam dar seu toque especial. Para o foodservice os cortes diferentes são de grande valor, pois ter à disposição o peito já cortado em filés, ou o frango à passarinho representa uma economia de tempo preciosa para os custos de um estabelecimento.Mas ainda há muito a ser feito para este mercado.

Outras aves

Outras aves, pouco consumidas ou que não faziam parte dos hábitos brasileiros, tiveram seu consumo nos últimos anos. O peru é um desses casos. Normalmente com consumo associado às festas natalinas, teve seu consumo aumentadao graças a introdução da venda de diferentes cortes e temperos. Com isso, deixou de ser uma carne somente para dias festivos e entrou no cardápio diário do brasileiro.

Uma novidade, que chegou no País há 18 anos e acabou por conquistar os brasileiros foi o Gallus gallus, popularmente conhecido como chester, um tipo de ave proveniente dos Estados Unidos que, trazida pela Perdigão, foi ocupando espaço e, hoje, já é bastante procurada, principalmente em épocas de festas.

Sua criação obedece processos rigorosos de seleção da espécie onde apenas um macho é escolhido para reproduzir em grupos de 200 aves, visando o aperfeiçoamento da raça. Programas computadorizados controlam também detalhes como histórico da espécie, o rendimento de peito e coxa , qualidade, menos gordura, maior aproveitamento das carnes nobres e capacidade de reprodução da aves.

Todo este cuidado acrescido de um intenso trabalho de marketing fizeram com que, segundo pesquisas do Instituto Gallup, cerca de 50% dos consumidores brasileiros já experimentaram o chester, ou algum tipo de produto processado a partir desta ave. Sem dúvida, uma grande vitória para um produto desconhecido, até pouco tempo atrás, no Brasil.

Isso demonstra que o consumidor está aberto para novos produtos, desde que eles apresentem uma boa qualidade, praticidade e sabor.

Avis raras

Para os apreciadores de comidas diferentes ou mais requintadas, existem no mercado certos tipos de aves, que não fazem parte dos hábitos diários da maior parte das pessoas. Exemplos dessas avis raras comercializadas são as codornas, o faizão e a perdiz.

Alguns pequenos criadores e distribuidores fornecem esses produtos, e das empresas maiores, a Perdigão disponibiliza as espécies para consumo doméstico e foodservice.

Cada uma delas possui seus atrativos, a codorna, por exemplo, é muito apreciada pelos nordestinos, que atribuem à carne suculenta e macia da ave, propriedades afrodisíacas.

O faisão, originário da Ásia, de porte elegante e com bela plumagem, foi introduzido na Europa, no Século XIX, e o sabor requintado de sua carne, tornou a ave uma das caças preferidas da nobreza da época. Hoje, além do sabor especial, sabe-se que a ave possui alto valor nutritivo, e baixo teor calórico. É muito consumida pela alta gastronomia.

A Perdiz Chukar também é apreciada pela textura de sua carne e pelo sabor exótico que possui. Originária do Paquistão, chegou a Europa através dos romanos, que trouxeram a ave para desfrutar do prazer da caça, o hábito se mantém em todo o continente até os dias de hoje. A Perdigão possui matrizes importadas da Europa e cria a ave em amplos aviários para comercialização no Brasil.