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Nov - 99
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"Alimentação no 3o. milênio"
Quem será o comensal do futuro? Quais suas preferências
e necessidades? Em que conjuntura econômica ele se insere? Quais seus direitos?...
Estas e muitas outras questões foram debatidas por mais de trezentos profissionais
convidados, durante o Fórum "Alimentação no 3o. milênio", realizado por Nutrinews
em parceria com Abia Foodservice 2000 em S.Paulo.
Nascido de avaliações sobre o mercado Foodservice em seu estágio atual e nas
considerações sobre sua evolução nos próximos anos, o Fórum foi uma oportunidade
impar para uma reflexão sobre as principais tendências de mercado para os próximos
anos.
O mundo está passando por rápidas transformações, influenciado por inúmeros
fatores. Tecnologia, globalização, conjuntura econômica, qualidade de vida,
entre muitos outros, afetam o dia-a-dia das pessoas e das empresas. Como abordar
este mercado agora e se preparar para ele no futuro próximo?
Durante um dia inteiro, profissionais convidados tiveram a oportunidade de atualizar
conhecimentos e analizar novas possibilidades e novos enfoques para as atividades
diárias, através das palestras de renomados profissionais, compartilhando assim
experiências e dúvidas.
"O mercado necessitava de um evento técnico deste porte. Pudemos observar debates
de alto nível, mostrando o quanto é importante para o profissional do mercado
foodservice, eventos que possibilitem o intercâmbio de idéias. Como veículo
de informação impresso Nutrinews já vem realizando este trabalho, porém graças
aos nossos parceiros comerciais, empresas patrocinadoras e apoiadoras, sentimo-nos
motivados a realizar muitos outros eventos deste porte, inclusive em outros
Estados." afirma Adélia G. Chaves, diretora de Nutrinews.
Durante o evento foram proferidas doze palestras, tratando dos diversos assuntos
ligados às questões da Alimentação no próximo milênio. Veja a seguir as principais
conclusões e recomendações sugeridas pelos palestrantes e breve resumo de cada
uma delas.
Principais conclusões e recomendações:
A Qualidade de Vida será,
provavelmente, uma das principais condicionantes do comportamento do consumidor
no novo milênio. Esse consumidor buscará uma alimentação equilibrada e saudável
e deverá ser mais exigente, mais crítico, mais informado e mais consciente
dos seus direitos. Em lugar de imposição, esse consumidor buscará o diálogoA
segurança alimentar deverá ampliar seu escopo, passando do método APPCC, utilizado
atualmente, para o Programa de Redução de Patógenos, onde o APPCC é um dos
capítulos.
Novos públicos estarão
emergindo. Dois grandes grupos deverão se destacar: a Geração Digital, com
cerca de 80 milhões de novos consumidores e um poder de compra que pode chegar
a US$ 500 bilhões por ano e os consumidores da 3a. idade, que representarão
quase 20% da população em 2.025, enquanto hoje representam cerca de 5%. O
mercado Foodservice, ou de alimentação fora do lar é um dos que mais crescem
atualmente e um dos que tem as melhores perspectivas no futuro próximo. Isso
se aplica ao mercado como um todo, à terceirização, onde encontramos as concessionárias
e à Gastronomia.
A indústria de alimentos
e a indústria de equipamentos estão desenvolvendo novos produtos que facilitarão
a vida do consumidor, tanto doméstico quanto profissional. Os projetos de
restaurantes deverão se preocupar com a qualidade de vida, com o ambiente
agradável e com a funcionalidade, aumentando mais a área de distribuição e
reduzindo a área de serviços. Cada vez mais a disponibilidade de produtos
prontos e semi-prontos levará a um processo de finalização, simplificando
os processos.
Para poder atender esse
cliente com a personalização e agilidade necessárias, os profissionais operacionais
e de gerência deverão adquirir mais conhecimentos técnicos, mais conhecimentos
sobre legislação e fazer uso de novas tecnologias. O estilo gerencial deverá
mudar, ampliando o seu foco de atuação e se tornando um agente de mudanças.
Administrar com "olhos
de ver" será uma característica fundamental para quem quiser se aventurar
ou crescer nesse mercado. Foco no cliente, suas necessidades e características,
será um requisito fundamental. O modelo "adapte o seu problema à nossa solução"
terá cada vez menos espaço. Os profissionais que trabalham baseados em um
modelo de mercado cativo de refeições industriais deverão reciclar sua visão
e abordagem do mercado rapidamente.
Resumo das palestras
Perfil do Consumidor no
novo Milênio - Daniela Oliveira
O consumidor buscará mais qualidade de vida, valorizando a alimentação equilibrada
e saudável, entre outras coisas. A geração digital, composta por pessoas nascidas
no final dos anos 70 e início dos anos 80 terá cerca de 80 milhões de novos
consumidores, com um poder de compra que pode chegar a US$ 500 bilhões por
ano. Estes consumidores são muito mais críticos quee as gerações anteriores,
mais difíceis de convencerr e mais ainda de enganar.
Os consumidores da 3a. idade, com mais de 65 anos, deverão representar quase
20% da população em 2.025, contra 5% atualmente. Esse grupo terá um poder
financeiro maior, uma vez que as pessoas tenderão a parar de trabalhar cada
vez mais tarde.
Os desafios para o novo milênio estarão ligados principalmente ao tratamento
personalizado do consumidor, com respostas rápidas, melhor qualidade e preços
acessíveis. Diferenciais competitivos, preocupação com o meio ambiente e cidadania
corporativa completam o quadro de desafios que deverão ser enfrentados.
Alimentos: Tendências de Mercado
- Rosicler Dennani Rodrigues
As facilidades oferecidas pela Indústria de Alimentos farão com que o preparo
do cardápio se torne mais simples e rápido, tanto pelos produtos disponíveis,
quanto pelos equipamentos para sua finalização.
As principais tendências, segundo o que foi apresentado no último SIAL-Salão
Internacional da Alimentação, em Paris, são: especificidade, praticidade,
globalização, qualidade de vida e sofisticação.
As embalagens aumentam a vida útil dos produtos, com apresentação em tamanhos
variados, facilidade de manuseio, redução do deseperdício e otimização do
espaço.
A preocupação com a saúde levará à procura por alimentos enriquecidos, light,
diets, naturais, e vegetarianos. O mesmo deverá ocorrer com os produtos com
características "terapêuticas" e com os alimentos livres de agrotóxicos.
O mercado de trabalho deve crescer em função da maior busca de informação
técnica sobre os alimentos e a orientação adequada sobre a alimentação.
Direitos do Consumidor
- Roberto Senise Lisboa
O Código do Consumidor define quem é reponsável por o quê perante o consumidor.
Seu objetivo é proteger o bolso, a saúde, a vida e a segurança do consumidor.
O Código analisa de forma distinta os fornecedores de produto, cujo principal
exemplo é representado pelos supermercados e os prestadores de serviço, onde
encontramos tipicamente os restaurantes. A responsabilidade perante o consumidor
é sempre do fornecedor imediato, seja ele um supermercado ou um restaurante.
Em caso de problema e estando o produtor devidamente identificado, este responde
solidariamente com o fornecedor. O Código considera como fornecedor todo aquele
que faz intermediação.
Os profissionais que trabalham com alimentação devem se preocupar em prestar
informação plena ao consumidor, usando linguagem clara, simples e acessível,
em língua portuguesa. Restrições porventura existentes devem ser colocadas
de forma objetiva.
Da mesma forma, esses profissionais devem se preocupar em ir além da sua rotina
profissional, antecipando possíveis problemas e tomando as medidas necessárias
para evitá-los.
Qualidade de Vida - Jorgete
Leite Lemos
A Qualidade de Vida é fator primordial para a Qualidade Total. Alimentação
adequada é fundamental para a constituição de capital intelectual positivo,
considerado como o principal patrimônio da nossa sociedade do Conhecimento.
Os principais valores que estarão norteando a gestão de pessoas são o reforço
positivo, o gerenciamento participativo, a flexibilidade, a comunicação aberta
e franca, a perspectiva de evolução na carreira com liberdade e o uso mínimo
de coerção.
Do ponto de vista de Recursos Humanos, a alimentação pode ser considerada
como remuneração indireta, sendo também feramenta para a educação e um indicador
de saúde e de segurança. A linguagem da venda na alimentação seria melhor
se fosse justificada pela Qualidade de vida e não apenas da satisfação das
pessoas, ou da melhoria do ambiente.
O futuro da segurança
alimentar: Programa de Redução de Patógenos - Roberto Figueiredo
O Programa de Redução de Patógenos está sendo desenvolvido nos Estados Unidos
desde o início de 1997, com um cronograma de 3 anos para sua conclusão. Ele
surgiu em decorrência do grande número de mortes por um problema conhecido
como DVA-Doenças Veiculadas por Alimentos e pela constatação que os programas
atuais de garantia de qualidade de alimentos não estão sendo totalmente eficientes.
O Programa de Redução de Patógenos engloba o HACCP, o Controle de Salmonella,
o Controle de Escherichia Coli e os Procedimentos Operacionais Padronizados
de Higienização. O HACCP é bastante conhecido e visa prevenir, controlar e
garantir a produção de alimentos seguros. O Controle de Salmonella dá uma
atenção especial a este microrganismo que é o principal patógeno veiculador
de DVA. O Controle de Escherichia Coli tem o objetivo de avaliar o nível de
contaminação fecal existente nos ambientes, utensílios e produtos fabricados.
E os Procedimentos Operacionais Padronizados de Higienização (SSOP, em inglês)
previnem a contaminação direta ou indireta dos alimentos produzidos, estando
ligados principalmente à higienização, limpeza e desinfecção.
Sua implantação no Brasil é uma questão de tempo, pois trata-se de um pré-requisito
para a exportação de carnes bovinas e produtos avícolas para os Estados Unidos.
Gestão de Negócios: Um Novo
Enfoque -Airton Bottini
Os profissionais que gerenciam o Restaurante Industrial têm, em sua maioria,
formação em Nutrição. Essa formação tem um direcionamento para a área da Saúde,
concentrando-se principalmente nos aspectos técnicos, em detrimento dos aspectos
de gestão de negócios.
Ao longo do tempo, as empresas estão dando mais liberdade aos seus funcionários,
através do fornecimento de vales-refeição e permitindo que estes se alimentem
no restaurante da empresa ou em outro qualquer de sua escolha. Assim, o Restaurante
Industrial passou a competir com o Restaurante Comercial, o Fast Food, as
Praças de Alimentação, o sistema "por quilo", opções de delivery e mais recentemente
o "buscovery", ou seja, restaurantes que vão buscar o cliente na empresa e
levam-no de volta. Na disputa de mercado a criatividade, associada à qualidade,
ao serviço e ao preço são fatores críticos de sucesso.
Olhar com "olhos de ver", focando no cliente e agindo com rapidez serão diferenciais
importantes para a conquista e manutenção de mercado. Complementar a formação
técnica com uma formação voltada para a gestão de negócios é um aspecto importante
na formação dos profissionais.
O Negócio da Gastronomia
-Tereza Guerra, Cláudia Leite, Jorge Monti, Horst Tássilo Siebert
A criação de cursos de formação de curta duração abre oportunidade de reciclar
e formar mão de obra específica para o mercado da gastronomia, que vem crescendo
bastante. A maioria dos profissionais que trabalha nas cozinhas vem de uma
origem humilde, optando entre a construção civil e a cozinha como alternativas
de emprego. Com o aumento da demanda por qualidade, a reciclagem desse pessoal
e a opção de uma nova carreira para quem conclui o ensino médio, apresentam
grandes oportunidades, com boas perspectivas de crescimento.
Com relação às cozinhas e chefs, é preciso fazer um trabalho de base para
mudar a mentalidade. Revalorizar a cozinha brasileira, sem perder a identidade,
mas sendo apurada por novas técnicas, com ordem e disciplina, são as palavras-chave
para esse mercado. A ABAGA-Associação Brasileira de Alta Gastronomia está
fazendo um trabalho consistente nesse sentido, em todo o País.
A Escola de Administração e Gastronomia, voltada tanto para o empresário que
quer montar seu bar ou restaurante, quanto para o jovem que quer aprender
a trabalhar em uma cozinha, está em fase de finalização. O proprietário de
restaurante (hoje o Brasil tem cerca de um milhão de estabelecimentos), exerce
uma função social de desenvolvimento, ensinando seus empregados, normalmente
de classes mais simples, coisas básicas, como higiene. Contudo, ocorre um
descompasso nessa atividade, pois esses mesmos empregados, depois de algum
tempo, fazem reivindicações trabalhistas pedindo horas extras pelo período
em que estavam fazendo cursos. Muita coisa ainda deve ser feita para poder
harmonizar este setor, responsável pela geração de tantos empregos.
Foodservice: um mercado em crescimento
-Denis Ribeiro
O mercado foodservice, ou de refeições fora do lar, é muito importante e está
relacionado com alguns fatores atuantes na economia brasileira durante a década
de 90, como a abertura da economia, o Mercosul, a estabilização econômica,
a privatização e a globalização. Nos Estados Unidos, 50% das refeições são
feitas fora do lar e na Europa, 70%. No Brasil, esse mercado é de cerca de
25% nos grandes centros urbanos e 20% no geral.
Com cerca de um milhão de estabelecimentos ligados à alimentação, que são
canais de foodservice, a indústria caminha para os pré-preparados. A tendencia
principal da economia é o controle pela demanda, com a decisão nas mãos do
consumidor, envolvendo preço, qualidade e serviço. Esse é um processo que
ocorre agora no Brasil e não deverá ter retorno. Apesar da recessão, o mercado
foodservice deve crescer neste ano e no próximo.
O mercado Foodservice é o que mais cresceu e que deve crescer dentro da Indústria
de Alimentos. Com a globalização da economia, é importante desenvolver estratégias
direcionadas a oportunidades, segmentos e clientes desse mercado.
Alimentação Comercial e o Lazer
-Heloisa Henne
A Alimentação Comercial como prestação de serviços requer a profissionalização
do segmento, baseada no conjunto Preço, Seriço e Qualidade. Isso pode ser
obtido através do mix de marketing - Produto, Preço, Distribuição e Comunicação
- através da identificação do público-alvo, análise da concorrência e definição
do conceito. O resultado final desse processo será composto pelo Cardápio,
o Ambiente, no sentido amplo e o tipo de Atendimento a ser praticado.
Para atingir esses objetivos, o profissional deve trabalhar com os seguintes
instrumentos: Segurança alimentar, Agilidade, Satisfação e Fidelidade, Comunicação
e Controle Administrativo e Financeiro.
Para garantir a segurança alimentar, o profissional deve ter a responsabilidade
técnica, aplicando o APPCC, elaborando o Manual de Normas e Procedimentos
segundo o Ministério da Saúde, aplicar o Código Sanitário segundo a SEMAB,
o Código de Defesa do Consumidor, treinar teórica e praticamente os manipuladores,
qualificar fornecedores e garantir a qualidade.
A implantação de tecnologia, utilizando cozinha de finalização, projetos compactos,
equipamentos adequados e utensílios que garantam a relação custo-benefício
garantem a agilidade.
O cardápio e o atendimento levam à satisfação do cliente e à sua fidelidade.
Especial atenção deve ser dada à recepção, postura, preocupação com a satisfação
e a agilidade, conhecimento do cardápio e ação de venda sugestiva por parte
dos atendentes.
A comunicação é fundamental para fixar a imagem, identificar o público-alvo
e o nível de satsifação e expectativa. A comunicação visual interna e externa
e a comunicação com a mídia completam este grupo de atividades.
Finalmente, o controle administrativo e financeiro é fundamental. Para isso,
existem sistemas que permitem o gerenciamento efetivo do negócio, da entrada
da matéria prima até o pagamento da conta.
Projetos e Equipamentos
-Sonia Franco
As principais tendências em projetos e equipamentos para os próximos anos
envolvem a utilização de consultores profissionais para o planejamento e projeto
de serviços de alimentação, a valorização dos clientes ou comensais, a valorização
das áreas de distribuição e a redução dos espaços das áreas de serviço.
Os espaços deverão ser adaptados para refeições mais agradáveis, com a utilização
de materiais de acabamento, cores e mobiliário mais adequados, além da preocupação
com a acústica e a iluminação.
As áreas de distribuição devem ser valorizadas. Praças de alimentação com
a oferta de vários tipos de produto no mesmo espaço. O sucesso estará ao lado
dos que oferecerem produtos de qualidade, com preocupação no "saudável", isto
é, alimentos sem colesterol, light, sem agrotóxicos. Esse conceito também
se aplicará aos restaurantes institucionais. incluindo serviços diferenciados
com grill, cozinha espetáculo e multi-produtos.
A utilização intensiva de produtos pré-processados e equipamentos mais eficientes
permitirão a redução dos espaçoes destinados às áreas de serviço.
Refeições Coletivas: o que esperar
-Alberto Ramin Jr.
O setor de Refeições Coletivas tem uma importância social muito grande, empregando
cerca de 4.600 nutricionistas. O mercado movimenta hoje em torno de US$ 3,7
bilhões por ano e estima-se que em 4 ou 5 anos chegará aos US$ 5 bilhões/ano.
A ABERC-Associação Brasileira das Empresas de Refeição Coletiva está lançando
o SAQ-Selo ABERC de Qualidade e orientando seus associados para que isso sirva
de suporte ao atingimento daquele objetivo.
O mercado foodservice no Brasil tem cerca de 23 milhões de refeições por dia,
com um movimento de US$ 20 bilhões por ano. A taxa de penetração atual é de
16%. O mercado europeu movimenta US$ 51 bilhões, com uma taxa de penetração
de 18% e o mercado americano, US$ 70 bilhões, com uma taxa de penetração de
46%.
Hoje em dia, muitos trabalhadores têm, como única refeição, aquela que é feita
na empresa. Com isso, sua produtividade está diretamente ligada a essa refeição.
O investimento em treinamento é representativo, fazendo com que a mão de obra
não especializada adquira conhecimentos e práticas aos quais, normalmente,
não teria acesso. Com isso, cria-se uma oportunidade de carreira e qualificação
profissional.
O mercado tem muitas empresas mas é fortemente concentrado, com mais de 70%
distribuídos entre 20 empresas. A preocupação com a qualidade é uma constante,
com várias empresas já possuidoras de certificação ISO 9000 e muitas outras
buscando esse certificado, que se torna uma codição importante na busca de
novos clientes.
O mercado atualmente está buscando preço como principal diferencial, porém,
nem sempre é possível realizar um trabalho de qualidade a preço baixo. A fidelidade
dos clientes é um problema para as empresas poderem realizar investimentos
de médio e longo prazo.
As principais tendências para os próximos anos serão: a necessidade de buscar
um diferencial de serviço na conquista do mercado; a redução do número de
participantes, com associações e fusões; a eliminação de incentivos, sendo
necessário agregar valor ao produto; o uso intensivo de tecnologia, como responsável
pela maior produção com menor custo; a queda de faturamento nos contratos,
sendo necessário buscar fazer e/ou vender outros produtos e serviços no ambiente
de trabalho.
Formação de mão de obra profissional
e gerencial -Conceição Milani
O cenário que se espera nos próximos anos é composto por um consumidor mais
exigente, pedindo cada vez mais um tratamento personalizado, dispondo de uma
gama maior de produtos preparados em cozinhas cada vez mais compactas.
Para atuar nesse mercado com sucesso, os profissionais deverão harmonizar
as exigências técnicas com as exigências do negócio e a satisfação dos consumidores.
Os conhecimentos deverão ser ampliados, tornando o perfil de cada profissional
mais completo e abrangente. A aquisição de conhecimentos técnicos , sobre
legislação e o uso de novas tecnologias serão necessidades básicas. O conhecimento
sobre ferramentas de qualidade e de gestão será indispensável para os níveis
gerenciais.
O estilo gerencial também deverá mudar, ampliando o seu foco de atuação e
se tornando um agente de mudanças. Atualização frequente, aliada a gestão
participativa e maior flexibilidade para atender diferentes expectativas dos
consumidores, juntamente com o foco em planejamento e análise e uma visão
de futuro, completam o perfil do novo gerente.
O estilo de liderança deverá ser focalizado em estimular, mobilizar, incentivar,
treinar e não desmotivar os colaboradores. O treinamento terá um novo conceito,
conventrando-se em processos e as principais características a serem desenvolvidas
serão a criação, a reação, a atualização, o entrosamento e a capacidade para
ouvir.
As empresas também deverão se modificar para poder trabalhar com esses novos
profissionais. Primeiro, elas deverão buscar profissionais que se identifiquem
com os seus valores. A partir daí, devem se transformar em verdadeiras escolas,
permitindo que seus profissionais aprendam através de ambientes criativos
e intuitivos, desenvolvendo a curiosidade. Deverá haver clareza e objetividade
na comunicação, buscando criar um ambiente que promova o crescimento profissional,
pessoal e familiar. Em lugar dos salários simplesmente, as empresas passarão
a se preocupar com a remuneração por competência, aliando salários, remuneração
variável e benefícios, com uma ênfase maior para a remuneração variável.
A conclusão é que o consumidor exigente gera como consequencia uma mão de
obra mais qualificada e melhor remunerada e que a sua felicidade passa pela
felicidade dos colaboradores.