Matérias Set - 99

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O idoso no século XXI

Um forte mercado consumidor


O melhor motivo para comemorar o Dia Internacional do Idoso, em 1o de outubro, está no futuro. Dentro de no máximo duas décadas, pessoas com mais de 65 anos serão a grande força do mercado de consumo. Com maior longevidade, autonomia, qualidade de vida e independência econômica, eles vão reverter as regras atuais da sociedade.

Está marcado o fim da era em que velhice é sinônimo de doença, solidão e dependência. Será por volta de 2025, quando a expectativa de vida do ser humano chegará perto dos 100 anos. Com maior qualidade de vida e maior longevidade - conseguidas graças a avanços na medicina preventiva e curativa -, eles poderão levar uma vida autônoma, apesar da fragilidade física. Terão muito mais dinheiro - e disposição - para gastar, e vão se transformar na maior força econômica do mercado consumidor. Vão tomar o lugar dos jovens como centro das atenções nos campos político, social e econômico. Em lugar de "velhos e doentes", serão "clientes preferenciais", capazes de influenciar com seus valores e comportamento a vida de toda a sociedade. Em vez de idade da velhice, estarão vivendo a "idade do poder".
O cenário acima não é ilusório. Está baseado em pesquisa de abrangência internacional, a primeira realizada pelo Instituto Sodexho para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida no Cotidiano, lançado mundialmente em 22 de setembro pela empresa francesa Sodexho, líder mundial no setor de alimentação e serviços prestados à coletividade.
Denominada "Dos Velhos à Idade do Poder: a transformação dos Idosos dos anos 2000", o estudo, que abrangeu 11 países, deverá direcionar as ações da empresa junto aos seus públicos. "Nosso objetivo é o de agregar ao conhecimento atual mais alguns dados e mais algumas informações e, principalmente, levantar questões importantes em nível internacional, chamando a atenção da sociedade civil", declarou Plínio de Oliveira, diretor-geral da Sodexho Brasil.
Daqui em diante, o Instituto Sodexho realizará duas pesquisas por ano sobre temas ligados à qualidade de vida do cotidiano, às expectativas e aos comportamentos presentes e futuros de populações de todo o mundo. Trabalhará em conjunto com diversos órgãos internacionais, como ONU, UNESCO e OMS, além de estudiosos e pesquisadores de renome.
Centro da sociedade
Os 11 países incluídos na pesquisa - Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia - têm 101 milhões de pessoas com mais de 65 anos, representando 19% dos 540 milhões de idosos no mundo. Juntos, esses países acumulam 55% do PIB do planeta, e seus idosos detém 5,3% do poder econômico.
De acordo com a pesquisa, houve uma grande melhoria na qualidade de vida dessa faixa etária nos últimos 30 anos. "Saimos do Tempo dos Velhos, em 1970, para o Tempo da Terceira Idade, nos anos 80, seguido do Tempo dos Seniors atuais", explica Laura Tomimatsu, diretora da Sodexho. "Em 2025, alcançaremos a Idade do Poder, quando a vida profissional se encerrará apenas aos 80 anos e os idosos se tornarão o centro da organização da sociedade" completa.
Força econômica
Os resultados do estudo anunciam uma verdadeira explosão não apenas do número de maiores de 65 anos em todo o mundo - nos países estudados esse número passa dos atuais 101 milhões para 168 milhões em 2025 -, mas também da força econômica, política e social desse segmento.
Segundo a Sodexho, o setor mundial de alimentação e dos serviços específicos para idosos está avaliado em mais de 146 bilhões de Francos (21,5 bilhões de Euros), sendo que Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França representam perto de dois terços desse mercado. A expectativa da empresa é que, com o envelhecimento crescente da população mundial, esse mercado continue a crescer chegando, no ano 2001, a 27% na Espanha, 13% no Reino Unido, 3% na França, 3% na Itália e 1% na Bélgica. Nos EUA, esse mercado progride três a quatro vezes mais rápido do que os hospitais tradicionais.
Outro dado constatado na pesquisa é que hoje mais de 9% do mercado total de refeições e serviços para idosos no mundo são feitos por subcontratados internamente. Os mercados mais subcontratados são o Canadá (22%), França (19%) e Itália (19%). Em todos os países pesquisados cresce o número de residências para idosos que optam pela subcontratação. Para se ter idéia da expansão desse mercado, só na Holanda ele deverá aumentar 302% em 2001.
Os números do Brasil
Atualmente, existem no Brasil 8,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos de idade, representando 5,2% da população total. Daqui a 25 anos, esse segmento deverá se multiplicar em mais de 150%, atingindo cerca de 22,9 milhões de indivíduos. O número de idosos com mais de 80 anos triplicará, saltando de 1,3 milhão hoje para 4,5 milhões. Em 2025, a mulher brasileira viverá em média 89,6 anos, contra os 63,6 anos atuais, e os homens atingirão a expectativa de vida média de 82,2 anos, contra os 70,4 anos atuais. Os idosos representarão perto de um quinto da população brasileiro (19%). Como nos outros países, aqui também eles prometem uma reviravolta nas áreas demográfica, política, social e econômica.

Como será a vida do idoso em 2025
A força dos idosos já se manifesta
Serviços personalizados

Confira alguns serviços de alimentação prestados pela Sodexho aos idosos em residências, centros de assistência, hospitais, grupos de convivência e comunidades de países onde atua:

População Brasileira - 1999
» com mais de 65 anos: 5,2%
» com menos de 65 anos: 94,8%

População brasileira - previsão para 2025
» com mais de 65 anos: 19%
» com menos de 65 anos: 81%

Residência atual dos idosos nos 11 países estudados
» Famílias: 11%
» Clínicas: 4%
» Residências com serviços: 2%
» Domicílio próprio: 83%


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