Matérias Mai - 99

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Utilitários leves
Eles transportam a imagem da empresa




Cada vez mais versáteis e modernos, os utilitários leves desempenham papel essencial no setor alimentício, oferecendo maior qualidade e rapidez nas entregas e contribuindo para reforçar na mente do consumidor uma imagem positiva da companhia

Nacionais ou importados, básicos ou superequipados, os veículos utilitários desempenham um papel fundamental na indústria de alimentos, realizando tarefas que vão muito além do simples transporte de produtos. Circulando por estradas ou por perímetros urbanos, eles representam a parcela móvel da companhia, uma espécie de cartão de visitas que, dependendo da aparência, das condições mecânicas e de carga, podem trazer ganhos de imagem ou sérios prejuízos à reputação da empresa.
Nos tempos atuais, quando a adoção do conceito de qualidade total torna-se condição sine qua non para a sobrevivência das empresas, os empresários dedicam cada vez mais tempo à tarefa de escolher os modelos e dimensionar sua frota de utilitários, de forma que esteja de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos pela companhia. Na hora da escolha, o preço já não é necessariamente o fator decisivo. Muitas vezes, uma marca mais cara e luxuosa pode representar melhor custo/benefício, no que se refere à política de manutenção da montadora ou à performance do veículo, por exemplo, valendo a pena desembolsar um pouco mais pela sua aquisição.
Por outro lado, há situações em que um carro simples e com visual menos atraente pode oferecer melhores condições para a carga do que versões sofisticadas, além de ter um preço mais em conta. Em resumo, o que importa é conseguir uma combinação de aspectos que resulte no maior valor agregado ao serviço de entrega. Melhor ainda se o utilitário escolhido, além de garantir a qualidade do produto transportado e contribuir para uma boa imagem da empresa, também apresentar baixo índice de desvalorização.
O mercado brasileiro está cheio de opções - entre nacionais e importados - que se encaixam nos mais variados orçamentos e necessidades do setor. Da quarentona Kombi, cujos modelos novos voltaram com força total desde a recente maxidesvalorização do real, aos grandes caminhões, passando pelas vans, furgões e picapes, todos os modelos podem transportar gêneros alimentícios, restando ao usuário apenas a tarefa de escolher aquele que mais se adeque à natureza da carga e ao orçamento da empresa.
"A indústria de alimentos foi muito bem agraciada pelo segmento automotivo, que vem oferecendo opções que favorecem cada vez mais o transporte seguro dos alimentos e o conforto do usuário", diz Luiz Muraca, diretor de vendas e marketing da Volkswagen. Para Muraca, os modelos ideais para o transporte de cargas médias são os furgões. "Eles transportam a carga fechada, presa e livre de intempéries como sol e chuva", explica. "Além disso, oferecem tanta versatilidade e conforto quanto os carros de passeio mais modernos."


O boom dos comerciais leves

Desde a abertura das importações, há alguns anos, o segmento de comerciais leves - que inclui furgões, picapes e vans - tem registrado crescimento expressivo, com expectativa de continuar se expandindo nos próximos quatro anos. Segundo levantamento do Sindipeças, as montadoras brasileiras planejam abocanhar fatias generosas do segmento, com planos de produção de até 45 mil unidades de vans por volta do ano 2003. O objetivo é arranhar a hegemonia das marcas importadas, como Kia Besta (Kia Motors) Towner e Topic (Renault), modelos que conquistaram o consumidor brasileiro e tomaram de assalto as ruas e estradas de norte a sul do país. A coreana Besta, aliás, foi o veículo que, em 1993, introduziu no país o conceito de van modelo furgão com capacidade de carga superior a 1.000 Kg. Com mais de 35 mil unidades comercializadas até março último, a Besta é o veículo importado mais vendido no Brasil, ao lado da Toyota Hilu.
Os números da Volkswagen, a líder absoluta no segmento, demonstram que a concorrência deve acirrar-se brevemente, para benefício dos consumidores. A empresa fechou o mês de março com uma venda de 23 mil utilitários, o que representa 300% a mais do número comercializado no mês anterior. Considerando que o crescimento total das vendas da marca (automóveis, comerciais leves e caminhões ) foi de 230%, isso mostra que o segmento de comerciais leves é o que responde mais rapidamente às oportunidades do mercado.
"Esse crescimento é uma coisa poucas vezes vista por aqui, e revela que o comercial leve foi o grande ganhador dessa história", diz Muraca, referindo-se à resposta positiva que esse segmento deu à recente queda do IPI e do ICM. "A nossa confiança é que essas reduções de preços, via redução de impostos, mantenham-se indefinidamente, permitindo que a indústria se mantenha ativa".
A confiança no mercado tem-se traduzido nos vários lançamentos que nem mesmo a crise econômica conseguiu adiar. No caso da Volkswagen, os produtos novos são a furgoneta Van, - que chegou disposta a concorrer com a Fiat Fiorino - e a Seat Inca, uma espécie de irmã gêmea da Van. A chegada desses novos modelos movimenta a briga entre furgões urbanos pequenos, que até agora envolve principalmente o Renault Express e o Fiat Fiorino Furgão.
Para movimentar ainda mais a batalha, a Peugeot, um peso-pesado que detém a liderança no mercado europeu de utilitários, está lançando no Brasil a sua furgoneta Partner, que deverá ajudar a empresa a alcançar a meta de 2% de market share no segmento até o final de 1999. "O Partner é ideal para o transporte de carga, pelo conforto que oferece ao condutor e pelo maior espaço interno entre todos os modelos existentes no país", diz Frédéric Drouin, diretor de marketing da Peugeot do Brasil. Cerca de 1.100 Partners deverão estar circulando pelo país até o final do ano, segundo as projeções da empresa. A expectativa da Peugeot é vender até dezembro 2.500 utilitários, incluindo a Partner e os mini-bus e picapes da marca.


Cuidados na aquisição e manutenção

Independentemente da distribuição dos alimentos ser própria ou terceirizada, os cuidados dispensados pela empresa na manutenção e inspeção dos veículos devem ser igualmente rigorosos. "O utilitário, seja próprio ou de frota contratada, é uma extensão da empresa, e deve ser objeto dos mesmos cuidados em termos de qualidade e higiene, sob pena de arruinar o produto e, o que é pior, a credibilidade da empresa", diz Augusto Gitirana, gerente nacional de logística da Santista Alimentos.
Gitirana tem autoridade para falar do assunto. Atualmente, ele responde por uma frota terceirizada composta por várias empresas, que se utilizam de milhares de veículos de todos os modelos e tamanhos. Sob seu gerenciamento, esses utilitários chegam a fazer cerca de 22,5 mil transportes a cada mês, levando mercadorias aos clientes ou entre os 24 centros de distribuição da própria empresa, espalhados por todas as regiões do Brasil. Entre os fatores mais importantes para qualificação de uma frota, Gitirana destaca a adequação do carro ao tipo de produto transportado (frios ou secos), o estado do equipamento de refrigeração, a idade do veículo (cinco anos, no máximo), limpeza interna e externa e controle sistemático de pragas no baú do veículo. "De nada adianta investir em níveis de qualidade e de atendimento dentro da empresa ou na beleza externa do veículo que vai escoar a produção, se o seu interior estiver sujo ou contaminado, pondo em risco os produtos, a saúde dos clientes e os esforços da empresa", conclui. Para a frota própria de utilitários leves, destinada exclusivamente à distribuição de sua linha de pães, a Santista Alimentos mantém a mesma política de controle e inspeção, com ênfase para a higiene do compartimento de carga.
Para Frédéric Drouin, da Peugeot, um dos cuidados mais relevantes na aquisição de um veículo é analisar a política de manutenção da montadora. "É importante que o usuário saiba com antecedência quanto vai gastar na revisão e manutenção de cada parte do seu carro, para que não tenha surpresas desagradáveis no futuro e veja o seu custo/benefício ser diluído pelas despesas com consertos", diz. Nesse sentido, a Peugeot oferece como diferencial um pacote de manutenção em que detalha cada gasto específico, com preços fixos pelo período de um ano.
Já para a Kia Motors, um dos principais aspectos a ser observado é o serviço de pós-venda, que abrange assistência técnica e estoques para reposição de peças. "O pós-venda consolida a relação de confiança e de fidelidade que o consumidor tem com aquela marca", diz José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil. A empresa mantém estoque de peças de reposição da ordem de US$ 50 milhões e mais US$ 10 milhões na rede de 61 concessionárias. A ordem é que os compradores de veículos de trabalho tenham total segurança na hora da compra do seu utilitário. Afinal, ele não estará apenas adquirindo um meio de transporte. Antes de tudo, estará investimento na qualidade dos produtos distribuídos, na satisfação dos clientes e na imagem da empresa perante os seus públicos.


Pequenos notáveis

Conheça alguns comerciais leves que estão a serviço do setor de alimentação:


Compare algumas características dos modelos

Modelo

Comprimento

(em mm)

Altura

(em mm)

Largura

(em mm)

Carga útil (em Kg)

Motor

Preço

Topic Carga (Asia Motors)

5.260

2.040

1.690

1.585

2.7/diesel

R$ 27.995

Ducato Maxi (Fiat)

5.005

2.450

1.998

1.650

2.8/diesel

US$ 28523

Trafic Longo (Renault)

4.890

2.545

1.905

1.510

2.2/gasolina

R$ 23.500

Ducato 15 (Fiat)

4.655

2.130

1.998

1.550

2.8/diesel

US$ 24.316

Trafic Curto (Renault)

4.500

2.090

1.905

1.410

2.2/gasolina

R$ 19.450

Partner (Peugeot)

4.108

1.830

1.960

625

1.8/gasolina

R$ 16.990

Express (Renault)

4.060

1.810

1.600

720

1.6/gasolina

R$ 14.150

Towner Furgão (Asia Motors)

3.360

1.870

1.400

550

0.8/gasolina

R$ 11.423

Besta Furgão (Kia Motors)

2.775

1.365

1.615

1.225

2.7/diesel

R$ 24.879

Van (Volkswagen)

1.681

1.278

1.530

625

1.6/gasolina

R$ 19.721

Seat Inca (Volkswagen)

1.680

1.278

1.530

625

1.6/gasolina

R$ 18.678



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