Matérias Mar - 99

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CHOCOLATE - Doce tentação



Abril é, sem nenhuma dúvida, o mês mais doce do ano. É nesta época que o chocolate, o "alimento dos deuses", invade prateleiras de lojas em todo o país, sob as mais variadas formas e receitas, confirmando a sua posição de paixão nacional.

Serão mais de 100 milhões de ovos de páscoa este ano, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos de Cacau, Chocolates, Balas e derivados do Estado de São Paulo (Sicab). Em suas mais variadas gramaturas, preços ou sabores, os ovos, aliados a outras formas de apresentação do chocolate - tabletes, bombons, coelhinhos, árvores e corações-, transformam a Páscoa no festejo mais delicioso do ano. A meta dos fabricantes é tornar impossível que alguém atravesse o mês de abril sem provar um pedacinho que seja de chocolate.
No que se refere ao mercado total (chocolates sob todas as formas), as previsões são promissoras. "Independente de crises econômicas, chocolates são sempre comprados para presente ou consumo próprio, na Páscoa ou em qualquer mês do ano", diz Antônio Salgado, presidente do Sicab. Otimista, ele acredita que o país manterá este ano o mesmo nível de produção de chocolate dos dois últimos anos, que ficou por volta de 305 mil toneladas. Com esse volume, o país deverá manter a 5a posição que ocupa atualmente no ranking mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e França (ver gráfico).
No segmento de chocolates para a Páscoa, o Brasil já é o 2o maior produtor do mundo, com volume de 15,2 mil toneladas por ano, ficando atrás apenas da Inglaterra, que produz anualmente 24 mil toneladas. Para este ano, a produção estimada deverá crescer 5% em relação ao ano passado, atingindo 16 mil toneladas. A maioria desse volume destina-se à produção de ovos pelas cinco maiores empresas que atuam no país: Lacta, Nestlé, Garoto, Visconti e Bauducco. Juntas, elas respondem por 78% dos itens de páscoa encontrados no mercado, enquanto que os outros 22% estão distribuídos entre marcas, como Cacau Show, Arcor, Village, Kopenhagem, Cory, Montevérgine, Neugebauer, Ferrero e Pan, além das empresas artesanais regionais, que participam com cerca de 3 mil toneladas de ovos a cada ano.
Segundo o Sicab, as estimativas otimistas levam em conta sobretudo os resultados da Páscoa de 98, quando a demanda superou em muito a oferta, e muitos consumidores não conseguiram encontrar o produto no ponto de venda. Como forma de prevenção, a entidade e os fabricantes recomendam que as empresas programem e antecipem as suas compras, para que tenham garantido o fornecimento dos tipos e tamanhos mais procurados pelos clientes.
Se depender das estratégias e lançamentos das maiores marcas que atuam no país, haverá ovos para todos os paladares e orçamentos. A Nestlé, vice-líder do mercado brasileiro de páscoa (23%), está investindo R$ 7 milhões, 17% a mais do que no ano passado. "A nossa meta é conquistar 25% desse mercado", afirma Léo Roberto Leiman, gerente de Marketing Chocolates e Açúcares da Nestlé. Por outro lado, a Garoto, que ocupa a terceira posição no mercado, está investindo R$ 2,5 milhões, com produção 30% maior do que a do ano passado e expectativa de faturar R$ 55 milhões com vendas de ovos. Já a Lacta, líder de mercado, investiu 10% mais do que em 1998. A empresa não divulga o valor dos investimentos.


Incentivo à exportação

Apontado como um dos dez mercados industriais de maior potencial do país, o segmento de doces, confeitos e chocolates está passando por profundas transformações, com a abertura de novas fábricas e a perspetiva de alteração nos volumes de exportação e importação. "A indústria trabalha com alguns materiais importados ou com preço cotado em dólar, o que traz algum ônus para os produtores', diz Antônio Salgado. "Mas, por outro lado, fazemos parte de um pequeno grupo que recebeu prioridade do governo no que se refere às exportações', completa. O presidente do Sicab se refere ao Programa de Novos Pólos de Exportação, criado pelo governo brasileiro como medida de incentivo para o aquecimento de diversos setores. Consiste no fornecimento de incentivo fiscal de 25% do custo total da realização de feiras e eventos comerciais. Com a medida, o governo espera dobrar o volume de exportações que, no caso de chocolates, está por volta de 23 mil toneladas anuais.
Entre as primeiras conseqüências positiva dessa medida está a realização da Sweet Brasil'99 - 3a Feira Internacional de Chocolates, Balas, Confeitos e Derivados, que acontece entre os dias 13 e 16 de abril, em São Paulo. O evento deverá contar com a participação de 120 expositores nacionais e estrangeiros e atrair cerca de 10 mil visitantes.


Novidades para a Páscoa

Lacta - Ovo Bis, com pedaços de wafer crocante coberto com chocolate na casca e recheado com Bis; e Ovo Grandes Sucessos (850g), recheado com bombons Lacta (é a versão em ovo da Caixa de Bombons Lacta). Este ano, quem ganhar um ovo Lacta poderá participar da promoção Casa é Lacta, que premia o consumidor com uma casa de R$ 200 mil e um VW Beetle (o novo fusca) para quem comprou o ovo. A forma de participação estará sendo divulgada em pontos de vendas e nos meios de comunicação.

Nestlé - Ovo Nescau (240 e 375g), com duas camadas: por fora, chocolate ao leite, e por dentro, recheio crocante igual ao tablete Nescau; Ovo Diplomata (240g e 550g); Ovo Galak com Corn Flakes (240g); e a nova coleção de brinquedos do Ovo Magic, com carrinhos conectáveis dos personagens mais famosos de Disney. Outra boa novidade da Nestlé é a venda de ovos pela Internet (www.nestle.com.br/pascoa) em algumas regiões do Brasil. O site contém informações para consumidores e comerciantes.

Garoto - Ovo Mundy Leite (75g a 240g) com casca de chocolate meio amargo; relançamento do Ovo Branco (240g); e 10 novas miniaturas da Turma do Pernalonga para os Ovos Personalidades.

Visconti - Ovo da Xuxa (350g e 400g), com bonequinha "Xuxinha Dançarina", que movimenta-se por meio de mecanismo de corda, e bombons sabor morango; Ovo Mágico (350g), com carrinho Speed Car - jipe ou fusca --, que sai em disparada se pressionado no chão, e bombons com recheio sabor brigadeiro; Ovo de Páscoa Light (280g), com 420 calorias, 125 a menos do que um ovo normal; Ovo de Páscoa Avelã (400g); e Ovo Branco com Granola (400g).

Bauducco - Ovo da Barbie (420g) com cobertura de granulados de chocolate rosa, confeitos em formato de coração, bombons Barbie com recheio de morango e brindes em formato de mini prancheta, mini bloco de papéis e mini porta-moedas; Ovo Twingo (120g), com adesivo que sinaliza a existência de surpresa e mini carimbo colorido em formato de coelho, que funciona com tinta ou giz de cera; ovo para adolescentes, da linha M&M Mini, que traz em seu interior tubo de confeitos em miniatura; e ovos com imãs dos personagens Fun Friends, da Mars.

Arcor - Ovos Gody (90g) com discos luminosos e tabletes Gody; Ovos Tortuguitas (180g), na versão chocolate branco e ao leite, com os tradicionais chocolates Tortuguitas e o brinquedo "Pegatuga", em formato de tartaruga de textura gelatinosa; e ovos Bon-o-Bon versão ao leite.

Montevérgine - Ovonauta (50g), com embalagem em formato de foguete espacial com três ovos que representam astronautas e outro com informações sobre o espaço. Ao todo são 42 ovonautas para colecionar.

Cacau Show - Ovos Senninha (400g).

Pan - Ovo Hipopó Crak (250g), com bonequinhos do Circo do Hipopó; e Ovos Aleluia (400g), nos sabores chocolate ao leite e branco crocante, com anjos na embalagem e mensagens de paz e renovação.


O alimento dos deuses

A origem do cacau está ligada à história das civilizações maia e asteca, na América Central. Há registros de que, por volta do ano 600 A.C, os maias ofereciam ao deus Ek Chuah uma bebida escura e amarga chamada chocolate, produzida a partir de favas torradas de cacau. Mais tarde, diz a lenda, os astecas, que consumiam o chocolate como bebida afrodisíaca, aprenderam com o deus Quetzalcoal as formas de cultivo do produto. Quando os espanhóis chegaram ao México, por volta de 1528, entraram em contato com a exótica bebida e a levaram à Espanha. Pouco tempo depois a novidade já havia se espalhado por outros países europeus.
O chocolate foi consumido exclusivamente sob forma de bebida até a era Vitoriana, quando surgiram técnicas que permitiram a sua transformação em alimento sólido. Gradativamente , foram sendo acrescentados novos ingredientes, como mel, leite, açúcar e especiarias, dando origem aos tabletes, pastilhas e bombons. Mas os brasileiros só conheceram as delícias do chocolate com a chegada da corte de D.João VI. Só os nobres consumiam a bebida. A população só teve acesso ao "alimento dos deuses" no século passado, quando começaram a chegar por aqui chocolates produzidos na Europa.


Chocolate já é sinônimo de Páscoa

Existem várias teorias para explicar a utilização de ovos de chocolate na comemoração da Páscoa. Uma delas prega que tudo começou na antiga China, nas festas de comemoração da primavera (lá, essa estação inicia-se em março). Era costume no país oferecer a parentes e vizinhos ovos de pata pintados com cores fortes. Coincidentemente, o mesmo hábito existia entre reis da Pérsia, primitivos povos da Mesopotâmia e pastores nômades.
No século XVII, na Europa, a Igreja distribuía entre fiéis pilhas de ovos coloridos e benzidos, que simbolizavam a resssurreição. Não se sabe exatamente quando esses ovos foram substituídos por versões doces. Acredita-se que os ovos de chocolate só apareceram no início do século passado, com o desenvolvimento da indústria chocolateira na Inglaterra. No começo desse século já se registrava no Brasil o hábito de se presentear e consumir ovos de chocolate no período da Páscoa. Hoje, o Brasil ocupa a 2a posição no ranking mundial de produtores de ovos de chocolate, perdendo apenas para a Inglaterra.


Brasil - Produção de chocolate no período de Páscoa
Em milhares de toneladas

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Fonte: Sicab



Maiores produtores mundiais de chocolate - 1997
Em mil ton/ano

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Fonte: Sicab


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FONTE: NIELSEN


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