Matérias Set/98

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ALIMENTAÇÃO ESPORTIVA Esclarecendo Dúvidas



Os nutricionistas vêm conquistando cada vez mais espaço na área esportiva, colaborando efetivamente para a consagração de vários atletas. Ao mesmo tempo, pelo fato de a orientação alimentar aliada à atividade física ter-se tornado um dos principais focos dos programas de qualidade de vida promovidos por empresas, vários nutricionistas atuantes em restaurantes industriais estão sendo solicitados na orientação de funcionários quanto à alimentação esportiva. E por não ser esta sua área principal de atuação, muitas vezes estes profissionais não têm a resposta imediata a essas perguntas. Para esclarecer as dúvidas mais comuns nesta área, Nutrinews ouviu a Dra. Tânia Rodrigues, uma das maiores especialistas do País na área da nutrição aplicada ao esporte.

Suplementação Alimentar
Entre as dúvidas mais comuns dos nu-tri-cionistas está a prescrição de suplementos alimentares. Segundo a nutricionista Tânia Rodrigues, uma das maiores especialistas na área esportiva, a indicação de suplementos deve ser a mais criteriosa. Ela explica que o ponto de partida é o nutricionista conhecer a formulação do produto, certificando-se de que trata-se de nutrientes e, portanto, podem ser recomendados por nutricionistas. "Caso o produto tenha outra formulação e caia em medicamento, o nutricionista jamais deve fazer a prescrição", observa Tânia.
A partir daí, o nutricionista deve realizar uma entrevista com o atleta ou esportista, identificando falhas na alimentação e verificando se determinado suplemento está adequado à sua dieta.
"Na verdade, o suplemento alimentar deve ser indicado para corrigir uma deficiência ou para uma finalidade específica, ou seja, se o atleta quiser melhorar a performance, reduzir a fadiga ou for participar de competição, o suplemento pode ser indicado de acordo com a necessidade de nutrientes dessa pessoa. É preciso ter critério, pois quando se fala em suplementos devemos lembrar que é algo que se dá a mais. E excessos podem causar danos", analisa. Quanto às quantidades, Tânia revela que depende muito da finalidade para a qual o produto está sendo indicado. Entretanto, existem literaturas que podem ajudar o nutricionista nesses cálculos.

Uso de isotônicos
Outra dúvida bastante comum entre os profissionais refere-se à ingestão de isotônicos, que ao contrário do que algumas pessoas imaginam, não podem ser consumidos descon-troladamente. "Esse produto foi posicionado no mercado com a mensagem de que qualquer pessoa poderia ingerí-lo e em qualquer situação. Entretanto, o isotônico tem em sua formulação básica sódio, potássio, cloreto e glicose, o que na verdade nada mais é do que soro, que vai conseguir absorver as moléculas de água e acelerar a hidratação. Ora, se a pessoa não está desidratada para que tomar?", questiona.
De acordo com a nutricionista, os isotônicos somente devem ser ingeridos em situações de desidratação, ou seja, quando há perda de peso. Se ao realizar determinada atividade física, a pessoa perder 2% do peso corporal, houve desidratação e o isotônico pode ser indicado. Geralmente, após à prática de esportes, forte exposição ao sol, aulas de ginástica etc a ingestão de isotônicos é recomendada. Em relação à quantidade, Tânia diz que uma dose (300 a 500 ml) é suficiente para repor os sais minerais perdidos.
Tânia revelou que se a pessoa não estiver em situações de desidratação, haverá um acúmulo maior de sal no organismo - que não estará sendo eliminado pelo suor - e, portanto, precisará ser excluído pelos rins, gerando uma sobrecarga, uma vez que estes órgãos terão de trabalhar muito mais na produção da urina para eliminar o sal presente em maior quantidade no organismo. Devido a esse fato, a nutricionista não recomenda a ingestão da bebida para crianças abaixo de cinco anos, adultos com hipertensão, pois pode acarretar um aumento da pressão arterial pela presença do sódio, em grande quantidade e gestantes, já que também pode gerar aumento de pressão arterial e provocar situações de eclampsia.
"Esses produtos são mascarados com sabor e cor, fazendo todo mundo acreditar que podem ser tomados à vontade. Portanto, falta orientação, e este é justamente o papel do nutricionista. Nem tudo o que está no mercado tem indicação geral. Nesse aspecto, o nutricionista pode estar esclarecendo a população", acrescenta.

Suplementação de vitaminas
A prescrição de vitaminas na área esportiva também é outro ponto de dúvidas entre os profissionais. Como explicou a nutricionista, atualmente muito se tem falado que vitaminas melhoram as condições de vida das pessoas. Entretanto, é preciso lembrar que não há recomendação de vitaminas para pessoas que não apresentam deficiências vitamínicas. Para ter certeza de que essas substâncias são indicadas, existem sintomas característicos: cansaço e gripes frequentes, viroses, lesões da pele nas unhas e no couro cabeludo podem ser sinais da ausência de algum tipo de vitamina. Entretanto, segundo ela, uma dieta balanceada é perfeita para suprir deficiências vitamínicas do indivíduo.
No caso de atletas e esportistas, a nutricionista diz que a recomendação de vitamina C e do Complexo B é maior do que para pessoas sedentárias. O fato é que essas substâncias estão envolvidas na produção de energia, sendo muito exigidas no trabalho muscular. Além disso, são eliminadas mais rapidamente pela urina. Por essa razão, dependendo da rotina do atleta é recomendada a suplementação dessas vitaminas.
Tânia ainda revelou que para atletas muitas vezes também é recomendada a su-ple-mentação de Ferro, especialmente para mulheres que perdem maior quantidade da substância na menstruação. Embora existam fontes ricas de Ferro, como carnes vermelhas e vísceras, nem sempre esses alimentos fazem parte da dieta do atleta, pois demoram para ser digeridos. Além disso, atletas e esportistas perdem grandes quantidades de Ferro pelo suor e urina. Daí, a necessidade de suplementação.
Entretanto, a recomendação é feita a partir de uma análise bioquímica periódica (exame de sangue). "Nada deve ser recomendado aleatoriamente, pois corre-se o risco de intoxicar o organismo do indivíduo. Geralmente, para atletas podemos estar utilizando dez vezes a recomendação habitual de vitaminas e minerais para pessoas não atletas, o que não constitui-se em superdosagens", complementa.

Mitos e verdades sobre emagrecimento
A busca de maior qualidade de vida trouxe o crescimento do esporte e do "fitness" no Brasil, levando a uma invasão às academias. Nos dias de hoje, as pessoas procuram praticar atividades físicas por várias razões: emagrecimento, estética e melhor forma física ou melhoria da saúde. Nesse aspecto, Tânia explica que as pessoas que buscam no esporte uma alternativa para emagrecer devem ser orientadas também a respeito da alimentação.
De acordo com ela, a primeira atitude da pessoa que deseja perder peso é deixar de ingerir os alimentos que são fontes de carboidratos, ou seja, massas, pães etc, o que é um erro e muito prejudicial ao organismo.
Acontece que quando o músculo é exigido, ele busca carboidratos que é seu principal combustível. Na falta deste, podem ocorrer lesões musculares e rompimento de fibras, além de redução da capacidade de treinamento.
Outro aspecto a ser considerado nesse caso é que para eliminar a gordura corporal o organismo tem de estar abastecido por todos os nutrientes essenciais à sua manutenção. Caso falte algum nutriente, o organismo irá entender que precisa armazenar a gordura - que é a última substância a ser liberada - para sua sobrevivência. Portanto, ficar sem comer não emagrece e constitui-se na pior maneira de perder peso, podendo trazer sérios danos ao organismo. "Já quando se tem uma alimentação balanceada, o organismo utiliza até 70% da energia gasta às custas da gordura corporal, ou seja, ele cede mais facilmente a gordura para produção de energia", acrescenta. Segundo Tânia, manter uma dieta balanceada associada à prática de atividades físicas é a melhor fórmula para perder peso. Uma dieta equilibrada compreende carboidratos, proteínas e gorduras, obviamente que em menores quantidades "Uma dieta de um atleta ou esportiva precisa ter gordura, pois a falta desta pode provocar fadiga muscular grave", lembra.

Fonte consultada:
Tania Rodrigues (011) 829-6216.




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