Embalagens para proteger e vender
A indústria da embalagem é um segmento de grande importãncia na economia, movimentando negócios da ordem de US$ 13 bilhões anualmente. A concorrência é acirrada, com várias opções oferecidas e os seus produtos viabilizam a existência de inúmeros bens de consumo.
A embalagem sempre foi fundamental para o desenvolvimento do comércio. A princípio existia para conter, proteger e viabilizar o transporte. Hoje, novas funções são incorporadas e novos papéis são desempenhados: conservar, expor, vender o produto e conquistar o consumidor através da comunicação visual fazem parte desse novo perfil. Ao lado da praticidade trazida pelas novas embalagens veio um problema: o lixo. Apesar disso, soluções criativas vem sendo propostas, gerando um segmento paralelo, o da reciclagem.
O setor de alimentação foi o que mais lucrou com o desenvolvimento dos novos materiais e tecnologias das embalagens. Novos produtos puderam ser comercializados com a preservação do sabor e aumento da durabilidade do alimento.
O vidro, que inicialmente reinava como solução, foi seguido pela lata, pela embalagem tetrapak e, mais recentemente, por produtos desenvolvidos com plástico e alumínio, com as masi avançadas tecnologias. O setor de alimentos passou a dispor de alternativas que possibilitaram a comercialização de uma variedade imensa de produtos. O mercado de alimentação fora do lar, em especial, se beneficiou das novas embalagens descartáveis, que ajudaram muito o seu crescimento.
A vida moderna exige praticidade e conveniência para acompanhar o seu ritmo e as embalagens atendem essas necessidades, incorporando versatilidade e facilidade de utilização. As características dos mercados atendidos impulsionam a evolução do setor no sentido de utilizar cada vez mais a alta tecnologia. A globalização também força o aprimoramento tecnológico, pois os produtos precisam ser transportáveis, leves e compactos, além de terem um visual claro, bonito e de compreensão rápida.
Para Fábio Mestrini, membro do Conselho da Abre-Associação Brasileira de Embalagens, "outros fatores influenciam o desenvolvimento do setor, sendo a hipercompetição um deles. Em função das inúmeras alternativas existentes no mercado, produtos com redução de tamanho, custo final e que possuam impacto visual em pontos de venda são beneficiados. Outro fator que deve ser levado em consideração é a similaridade de tecnologia. Na busca de um diferencial para determinado produto, existe um elemento que tem ganhado maior valor - o design - de grande importância para atender as expectativas de um consumidor mais exigente e também para despertar a percepção do comprador".
Cada produto dentro da embalagem adequada
Escolher o material adequado para colocar um alimento é a primeira atitude do fabricante. Cada produto possui características próprias. Alguns são sensíveis a mudanças de temperatura ou à luz, outros têm reações químicas em contato com certos materiais para embalagem. Nesse aspecto o Cetea - Centro de Tecnologia de Embalagens oferece suporte técnico para a pesquisa e escolha do material correto para cada tipo de produto.
As varias opções de materiais disponíveis para a confecção de embalagens oferecem alternativas para acondicionar de maneira ideal diversos produtos. Novos materiais com engenharia mais sofisticada e inovadora foram tomando espaço no mercado. A indústria fabricante de vidro foi a que mais acabou cedendo espaço para os novos materiais. Esse setor era responsável único pelo fornecimento aos produtores de líquidos, a exemplo do leite, refrigerantes, cervejas, sucos, além do mercado de conservas de alimentos. Mais tarde, a lata e as novas embalagens de plástico, com menor custo de produção foram substituindo o vidro.
A indústria do setor foi se adaptando e tem recuperado mercado, e em janeiro deste ano apresentou 14% de crescimento em relação ao mesmo mês em 1999. O aumento do custo de energia e as mudanças cambiais ocorridas no ano passado colaboraram para que o faturamento do setor atingisse a sifra de para R$ 691 milhões.
No mercado de alimentos a embalagem de vidro agrega mais valor ao produto pois o vidro dá maior status e sua aparência interfere positivamente junto ao consumidor. Estudos apontam uma tendência de crescimento na utilização do vidro no mercado de embalagens. Através do processo de reciclagem, um mesmo vasilhame pode ser reaproveitado 50 vezes. Para dar uma idéia do que isso significa, dos 50 milhões de garrafas de cerveja que circulam no Brasil anualmente, há necessidade de repor em torno de 3%. A indústria do vidro importa uma pequena porcentagem de matéria-prima para a produção, portanto o custo do vidro vem se tornando compensador.
A boa e velha lata
Os fabricantes de lata de aço para envasar alimentos se ressentem de não terem investido mais em marketing para desfazer algumas idéias errôneas que existem sobre o produto. Utilizadas por muitos anos para preservar alimentos, muito se tem falado do excesso de conservantes em produtos enlatados. Essa é uma das idéias equivocadas, porque ocorre exatamente o contrário - os alimentos enlatados, em sua grande maioria é cozido dentro das próprias embalagens. O processo é moderno e utiliza altas temperaturas, que destroem totalmente microorganismos, dispensando a adição de conservantes.
Uma das maiores vantagens da lata é a possibilidade de preservação dos nutrientes do alimento. Alguns vegetais chegam a perder todos os seus nutrientes após alguns minutos de cozimento. A possibilidade de cozimento em poucos segundos, nas próprias latas, dentro de autoclaves de alta pressão e temperatura, permite que os alimentos preservem os nutrientes.
A lata de aço com tecnologia de última geração em construção, processamento, envase e design preserva sua fatia de mercado diante das novas alternativas de materiais para embalagens.
O produto é indicado para alimentos que precisem resistir às oscilações de temperatura, barrar a entrada de luz e predadores externos. Atualmente produzidas com folhas de espessura entre 0,06 mm para refrigerantes e cervejas e 0,18 mm, conforme o produto e eletronicamente soldadas, as latas, agora mais leves venceram um dos obstáculos que enfrentavam - o peso.
A funcionalidade do fechamento das latas, que vem se aprimorando, também interfere na escolha feita pelo consumidor, por isso muito se investiu em design e tecnologia para criar novas maneiras de abrir o recipiente. Após o aparecimento dos novos sistemas, o consumo de alguns produtos enlatados cresceu. Um exemplo é a tampa do tipo Abre-Fácil, que tem um selo de plástico lacrando um orifício central da lata. Ao ser retirado, permite que o usuário retire a tampa com facilidade. Essa alteração contribuiu para impulsionar o consumo de produtos com esse tipo de embalagem.
Presentes no mercado americano desde a década de 60 e produzidas no Brasil desde o final dos anos 80, as latas que utilizam alumínio ganharam espaço, principalmente nos mercados de cervejas e refrigerantes. Uma das vantagens do uso do alumínio é a possibilidade de reciclagem. O material é total e infinitamente reciclável e no Brasil, atualmente, mais de 30% das chapas utilizadas na produção de latas chegam do processo de coleta e reciclagem. Uma lata de alumínio que passa por esse processo tem condições de chegar novamente ao consumidor em um período de 90 dias.
O alumínio supre também uma importante fatia do mercado com suas caixas descartáveis utilizadas para acondicionar alimentos congelados ou na distribuição de marmitex por cozinhas industriais e no comércio para transporte ou entrega de comida ao consumidor. Não só as grandes indústrias de alimentos se beneficiam de seu uso, mas também um mercado informal tem nessas embalagens um instrumento básico. As caixinhas conhecidas por todos tem mil e uma utilidades.
Apesar de enfrentar forte concorrência das caixas plásticas que possibilitam o uso em microondas, as embalagens de alumínio ainda predominam, e seu consumo aumentasse anualmente.
O crescimento do Pet
As indústrias de bebidas ganharam há alguns anos um produto que faz muito sucesso no mercado pela facilidade de logística em relação ao vidro, seu concorrente direto - trata-se da garrafa tipo pet, de plástico rígido.
A versatilidade do produto conquistou os produtores de bebidas, pois além do baixo custo eliminou etapas de recolhimento de vasilhame e tratamento de limpeza de garrafas. Para o consumidor, passou a evitar a troca de vasilhames e a necessidade de se possuir local para armazenamento em casa. Porém, outros problemas vieram: o acúmulo de garrafas plásticas que não se desintegram, um entrave ecológico, que parece estar próximo de uma solução. Fabricantes do produto já têm planos e vão investir, aqui no Brasil , em indústrias de reciclagem das garrafas plásticas tipo Pet.
Além de servir aos mercados de óleos comestíveis, vinagres, sucos e refrigerantes, as garrafas Pet devem surgir brevemente como novo recipiente para cerveja. Essa novidade já está sendo preparada por alguns fabricantes.
A longa vida do alimento
Um dos alimentos que ganhou maior versatilidade e durabilidade com a nova engenharia de embalagens foi o leite. Há cerca de 20 anos foram lançadas as embalagens tetrapak no Brasil, e revolucionaram, principalmente, o mercado de produtos lácteos. O novo material se presta a vários tipos de alimentos, como sucos, extratos de tomate, molhos, etc, porém a embalagem que comporta um método de ultrapasteurização trouxe suporte inigualável para envasamento do leite. Nesse processo, o leite é submetido a um aquecimento de 130ºC a 150ºC por 2 a 4 segundos, resfriado imediatamente até a temperatura de 32ºC e envasado em ambiente com condições totalmente assépticas. Essa tecnologia possibilitou aumentar o tempo de validade do leite e dispensou o uso de geladeiras para armazenamento do produto. A logística das empresas do setor pode contar com uma ferramenta valiosa de abastecimento, já que o prazo de validade de um alimento tão vital como o leite passou para cerca de 180 dias com o processo de ultrapasteurização.
A embalagem cartonada é formada por várias camadas, com diversos materiais, como filmes plásticos, metal e papel, criando condições ideais para que o alimento ali envasado fique totalmente protegido da luz, temperatura altas e perfeitamente lacrado. Os produtos cartonados também podem passar por reciclagem. Técnicas desenvolvidas por seus fabricantes possibilitam o reaproveitamento total dos componentes da embalagem e para que isso aconteça a Tetrapak já investiu R$ 8 milhões nos últimos 3 anos.
O maior desafio, o sistema de fechamento da embalagem, foi vencido recentemente com a introdução do ReCap3, que facilita a abertura, controla o fluxo da bebida e indica através de uma fita de alumínio se a embalagem foi violada antes da compra.
Fechamento, um diferencial
A tendência é aprimorar o fechamento de embalagens e evitar o uso de facas, tesouras e outros objetos para abrir o produto, diminuindo assim o risco de ferimento do consumidor ao manipular a embalagem.
Nesse aspecto os fabricantes têm procurado sistemas práticos e seguros para agregar mais um valor a seu produto. Uma solução encontrada para as garrafas de vidro, a long neck, que permite a abertura do vasilhame com apenas um giro na tampa dispensando o uso de objetos, reabilitou a utilização do vidro no segmento one way.
Fatos como esse demonstram a atual importância do design no segmento, ou seja, como a atenção à engenharia de uma embalagem pode significar o sucesso e a sobrevivência de um produto no mercado. O conteúdo, obviamente, é o que conta, porém se não estiver no "pacote" adequado pode não ser percebido ou até mesmo estar desvalorizado aos olhos do consumidor. Fábio Mestrini acrescenta que "as novas tecnologias estão ficando com menor custo, consequentemente mais acessíveis, portanto o fabricante do setor de alimentos não deve se intimidar no momento de escolher a melhor solução para seu produto."
E tecnologia de ponta é o que não falta nesse setor. Algumas latas de cerveja já possuem rótulos com termômetro que indicam o momento em que o líquido está na temperatura ideal para beber. Deve ser lançada em breve no mercado americano uma lata para refrigerante ou cerveja com um aparato que quando acionado gela o líquido em alguns minutos, dispensando assim a geladeira. Exemplos como esses demonstram o que ainda está por vir no setor de embalagens inteligentes.
Um mercado em crescimento
Os produtos embalados em pequenas porções individuais formam hoje um mercado em franca expansão, já que são largamente utilizados, principalmente em lanchonetes, hotéis, hospitais e empresas aéreas. Complementos de alimentação como ketchup, mostarda, maionese, mel, geleia, molhos para salada, cobertura para sorvete, açúcar, adoçante, entre outros, ficaram bastante comuns e populares ultimamente. A praticidade e principalmente o fator higiene, têm sido responsável pela presença cada vez maior dessas pequenas embalagens no cotidiano.
A utilização dos porcionados, tende a aumentar, e bastante, algumas cidades, como Ribeira Preto (SP) e Brasília já proibiram o uso de bisnagas para acondicionar ketchups e outros complementos para sanduíche, na cidade de São Paulo e várias outras no País já estão com projeto de lei para aprovação exigindo também que porções desses alimentos sejam oferecidos em embalagens individuais.
Como o mercado é relativamente recente ainda não se tem estudos do quanto representa no setor de embalagens, a partir deste ano será elaborado um levantamento. Os números, certamente serão bastante expressíveis, e para dar uma idéia de grandeza, basta observar o consumo de apenas uma cadeia de fast food, o Mc Donald's, que utiliza 221 milhões de sachês por ano, adicione-se a esses números o consumo significativo das companhias aéreas e hotéis, e fica fácil visualizar o que essas pequenas embalagens representam. Muitas indústrias do setor estão preparadas para atender ao crescimento desse mercado, a Junior Alimentos, fabricante de porcionados, e que tem investido em tecnologia de ponta possui capacidade para produzir 100 milhões de sachês/mês.
Com pouco tempo de existência a indústria dos porcionados já apresentou significativa evolução na qualidade de seus produtos. Os filmes de plásticos flexíveis utilizados possuem, atualmente, composição que oferecem melhores barreiras contra luz e temperatura, aumentando assim o selflife do alimento. Os equipamentos industriais também aumentaram a capacidade de produção, os antigos permitiam a fabricação de 30 mil sachês por dia, novas máquinas produzem 60 mil por hora. A evolução viabilizou a colocação de maior número de sachês no mercado com preço mais baixo.
Várias cadeias de fast food já utilizam as pequenas porções individualizadas, mas muitas lanchonetes e restaurantes ainda conservam o método antigo de servir, portanto ainda existe uma grande fatia de mercado a ser conquistado. A aprovação de leis que favorecem a distribuição desses produtos somada à diminuição de custo de produção deverão impulsionar significativamente as vendas no setor.
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