Empresa investe na saúde de funcionário e ganha prêmio
Trabalho desenvolvido na Asea Brown Bovery com a consultoria da nutricionista Tania Rodrigues provou que é possível através de programa de educação e orientação mudar hábitos alimentares de funcionários.
Nunca se falou tanto em qualidade de vida como nos últimos anos. O homem chegou ao ano 2000 carregando alguns prejuízos que as novas tecnologias e um novo modo de vida trouxeram para sua saúde.
Facilidades de acesso a meios de transporte, engenhocas eletrônicas que permitem resolver problemas sentado em uma sala, diante de uma tela de computador, televisão e vídeo que trazem o lazer para dentro de casa tornaram, principalmente, o homem urbano sedentário e geraram inúmeros problemas de saúde.
A alimentação, no seu processo de modernismo, também participou para o agravamento desse quadro favorecendo erros alimentares que provocam obesidade e alguns distúrbios bioquímicos, como o aumento dos níveis de colesterol.
O estresse inevitável das grandes cidades também colabora para desequilibrar o organismo causando doenças, que, agravadas pelos fatores anteriores, acabam por interferir na qualidade de vida.
Várias entidades diretamente ligadas à área da saúde já começam a se mobilizar para reverter esse quadro, campanhas educativas surgem tentando despertar a consciência das pessoas para dar mais atenção ao corpo e à alimentação.
Atentas a esta nova realidade, várias indústrias do setor de alimentação, vem investindo neste segmento oferecendo ao mercado produtos para uma alimentação mais equilibrada e isto pode ser constatado nas gôndolas dos supermercados de todo o mundo.
Dentro deste contexto algumas empresas estão trabalhando esse conceito internamente através de programas de reeducação de hábitos alimentares, pois já entenderam a importância de preservar seus funcionários como forma de manter e aumentar a produtividade.
Nestas empresas, o serviço médico mudou de caráter, incorporando a função preventiva além do atendimento emergencial. Assim o Departamento de Assistência Médica passa a funcionar como "Centro de Educação e Saúde", que faz acompanhamento do funcionário desde os exames na admissão até consultas de orientação profilática, oferecendo maior número de informações quanto à saúde.
A Brown Bovery, empresa do setor metalúrgico, desenvolveu este programa com seus funcionários e foi premiada pela Associação de Qualidade de Vida, como "Melhor Gestão de Programa de Qualidade de Vida".
O projeto foi coordenado pelo médico Eduardo Prince, e teve início em março de 1998. Para desenvolver o programa, uma equipe multiprofissional foi montada, sendo composta por uma nutricionista, Cristina Ferreira, da GR, responsável pelo restaurante e refeitório, professores de educação física de uma academia de ginástica instalada dentro da empresa, uma psicóloga, médicos, massagistas especialistas em Shiatsu, fisioterapeutas, enfermeiras e até um profissional de comunicação e marketing.
Para dar suporte a todo esse processo foi consultado o Serviço de Orientação Nutricional, da BRGNutri, orientado pela nutricionista Tânia Rodrigues, que sugeria cardápios do refeitório e prescrevia dietas individualizadas.
Especificamente na área da nutrição o programa englobou ações educativas e de intervenção. No procedimento educativo o cardápio do refeitório incluiu pratos novos, com ingredientes que eram desconhecidos dos funcionários e não faziam parte dos hábitos alimentares de suas famílias. Informações sobre esses alimentos foram passadas às pessoas para que elas pudessem atuar como agente multiplicador, levando os conhecimentos sobre novos conceitos de nutrição e função dos alimentos para suas famílias e círculo da amigos.
Para atingir esse objetivo o lay-out do refeitório passou por modificações, como a mesa de saladas, por exemplo, que ficava no final do balcão, e foi colocada em destaque. Cartazes no refeitório ilustravam a importância de uma alimentação balanceada, tabelas com os níveis de gordura, calorias e outros indicadores passaram a conviver com o dia-a-dia dos funcionários. Folhetos de fácil entendimento distribuídos rotineiramente abordavam temas sobre prevenção de doenças ligadas à alimentação e assuntos como hipertensão, anemia, triglicérides, colesterol, hidratação e a necessidade de alguns nutrientes em diversas faixas etárias.
As famílias dos funcionários também foram envolvidas no programa, através de palestras oferecidas às esposas e mães de funcionários, salientando a importância da alimentação saudável e orientando como balancear as refeições com baixo custo.
Reuniões com pequenos grupos eram realizadas dentro da empresa, nos próprios setores de trabalho, onde palestras curtas, com duração de 15 a 20 minutos, abriam espaço para esclarecimento de dúvidas.
Na ação mais direta, intervencionista, os funcionários passaram por uma avaliação médica e nos casos em que se detectou algum distúrbio foi oferecido suporte no tratamento. Pessoas com problemas de sobrepeso, baixo peso, obesidade, anemia, hipertensão e outros distúrbios bioquímicos foram encaminhadas ao serviço de orientação nutricional, onde receberam dietas personalizadas.
O refeitório se preparou para produzir alimentos que atendessem à necessidades geradas por essas dietas, de maneira que o funcionário pudesse seguir as recomendações de seu tratamento dentro da própria empresa.
Em alguns casos a atividade física na academia dentro da Brown Bovery complementava a orientação médica, dando oportunidade para a pessoa fazer exercícios com assistência de profissionais especializados.
Após um ano do início desse programa, os resultados já puderam ser observados. Em uma primeira avaliação foi possível constatar redução no número de funcionários com sobrepeso, colesterol alto, triglicérides, além do controle obtido nos casos de doenças gástricas.
Através de comparação estatísticas dos alimentos consumidos antes e depois do programa foi observado um aumento significativo na ingestão de hortaliças, peixes e sucos naturais. O refrigerante, apesar de estar disponível, apresentou uma diminuição de consumo. Com a maior ingestão de sucos os funcionários consumiram doses adequadas de vitamina C melhorando a absorção de sais minerais.
A Brown Bovery investiu neste programa cerca de US$ 50 mil e pretende dar continuidade, pois o assunto exige acompanhamento constante para que os casos já tratados não reincidam e os funcionários admitidos após esse período também possam receber a mesma atenção.
A nutricionista Tania Rodrigues considera o trabalho que desenvolve na Brown Bovery gratificante para um profissional da área. " Este trabalho permitiu uma interferência direta nos hábitos alimentares de um grupo grande de pessoas, aliando o tratamento de distúrbios bioquímicos à conscientização desta coletividade. Sem dúvida, este processo é de fundamental importância para a redução de riscos de saúde gerados por uma alimentação inadequada", conclui a nutricionista.
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