Sorvete : Um alimento que é uma tentação
Delícia que atrai e agrada tanto crianças como adultos tem no mercado brasileiro muitos desafios a serem superados por seus fabricantes.
O brasileiro ainda associa o sorvete à imagem de um item supérfluo que refresca e é justamente esse conceito de "guloseima que refresca" que colabora para que seja associado apenas ao consumo de verão. Um dos desafios das indústrias do segmento é conscientizar milhões de consumidores em potencial de que o produto é um alimento rico em valor nutritivo e próprio para o consumo em qualquer época do ano.
As possibilidades desse mercado podem ser notadas nas vendas da alta temporada do sorvete no Brasil, que começa em setembro e vai até fevereiro. Nesses meses são consumidos cerca de 70% da produção do ano, segundo os grandes fabricantes, sendo a época em que a procura por sabores de fruta aumenta. Já nos meses menos quentes é observado o aumento nas vendas de sabores como chocolate, creme e tortas geladas.
O setor tem buscado saídas criativas para motivar o consumo. Na linha de produtos consumidos fora do lar, indústrias como a Yopa por exemplo, investem em sorvetes com formas e cores atraentes visando conquistar o público infantil, enquanto outras investem em produtos com preço baixo, atraindo assim o consumidor de baixa renda.
Algumas empresas procuram conhecer as expectativas do mercado, como a Kibon, que possui um Centro de Inovações de Sorvetes, em São Paulo, voltado para a criação e desenvolvimento de novos produtos, de acordo com a demanda e necessidade dos consumidores.
Por outro lado, fabricantes de sorvetes mais sofisticados, denominados "superpremium" chegaram ao Brasil há alguns anos para investir na produção de uma linha para classe média alta. Estas empresas cujos produtos são fabricados com técnicas especiais, vêm ganhando cada vez maior espaço, sendo distribuídos em supermercados selecionados ou em pontos de vendas, geralmente franqueados com lojas localizadas em shoppings ou regiões privilegiadas do país.
Outra alternativa que continua gerando lucros é o sistema self- service ou buffet de sorvetes, que tem proliferado em várias regiões. Esse tipo de loja atrai o cliente a começar pelo aspecto visual. As guloseimas expostas, caldas de vários tipos e sabores e confeitos coloridos, despertam a gula, convidando o consumidor a montar sua própria taça. Essa opção, já bastante popularizada, pode ser uma estratégia de grande valor para mudar os hábitos do público alvo.
Também a abertura de lojas próprias, franquias, parcerias e fornecimento para hotéis e restaurantes, têm incorporado novos consumidores gerando um aumento de consumo do sorvete e motivando os grandes fabricantes a ampliar suas unidades regionais.
A " marca própria" de sorvete é outra tendência que têm contribuído para o crescimento de pequenas e médias empresas do setor, que podem fornecer para o mercado institucional, franquias ou mesmo supermercados, produtos diferenciados. As perspectivas do segmento são consideradas promissoras porque oferecem aos produtores garantia de produção, além de ter a qualidade de multiplicar e formar opinião do público consumidor.
A tendência de expansão do mercado de consumidores fora do lar, com grande parcela da população fazendo refeições em restaurantes e fast foods, e o aumento gradativo do poder aquisitivo previsto para os próximos anos, tornam esse segmento uma promissora fonte de lucro para as empresas. A estimativa é de que enquanto o mercado de sorvetes cresce a uma taxa de 5% ao ano, o volume do produto consumido no segmento foodservice tende a crescer, proporcionalmente, no mínimo o dobro .
O Brasil ainda tem índices baixos de consumo, cerca de 1,8 litros por pessoa por ano. Para dar uma idéia do quanto esse número é pequeno, nos Estados Unidos o consumo chega a 26 litros e na Europa em geral, a média é de 15 litros. O consumo nos países nórdicos, onde a temperatura é baixa a maior parte do ano, prova que quando existe o hábito alimentar o clima não interfere no consumo; na Suécia são vendidos 13,6 litros per capita e na Noruega, 12,8 litros.
Uma comparação que cabe fazer é em relação ao consumo da cerveja no Brasil, que nos meses de inverno cai, porém proporcionalmente, muito menos que o do sorvete.
A identificação do produto como artigo de verão pode ser mudada. As empresas devem investir em estratégias de marketing para alterar esse quadro. Em baixa temporada, os produtores poderiam veicular mais propaganda, a exemplo do que vem se fazendo em outros mercados de consumo marcadamente sazonais. Os fabricantes de chocolate fizeram campanhas e obtiveram sucesso junto aos consumidores, que hoje identificam o produto como alimento. O que se constata são ações isoladas que não chegam a motivar o número de consumidores potenciais nessa época do ano . Quando esse conceito for alterado, e o sorvete passar a ser visto pelo onsumidor como um alimento, deverá ocorrer um significativo aumento em suas vendas em épocas de temperaturas mais frias.
Grande parte do mercado de sorvete está nas regiões sudeste e sul, que detém juntas aproximadamente 81%, ficando 13% com a região nordeste. A indústria do setor convive com a sazonalidade até mesmo no nordeste, que com temperaturas altas durante o ano todo apresenta alterações de consumo nos meses em que o turismo aumenta, o que coincide com o verão no sul do País.
Mas não é só o clima que interfere no consumo do produto. O poder aquisitivo, alto custo de energia, transporte e juros altos impedem que a indústria e o comércio obtenham índices mais altos de vendas. Há alguns anos o setor estava otimista com relação a esses custos e apostava na melhoria do poder aquisitivo da população. Isso não se concretizou e a crise econômica que se instalou no Brasil afetou o segmento. No ano de 1999 houve uma queda de 15% no consumo de sorvetes mas a tendência para o ano 2000 é de alta nas vendas; Essa previsão por um lado, é devida à retomada de crescimento econômico do País e por outro decorre de novas alternativas encontradas pela indústria.
Muito ainda pode ser feito pelas empresas para conquistar e motivar o consumidor brasileiro. Os produtores que investirem em pesquisas de mercado, esclarecimento quanto ao teor nutritivo do sorvete, levantamento do perfil dos consumidores das várias regiões do País, buscarem novos espaços geográficos para instalar indústrias e pontos de vendas devem obter grandes lucros no futuro.
* Fonte:
Sicongel - Sindicato da Indústria Alimentar de Congelados, Sorvetes, Concentrados e Liofilizados no Estado de S. Paulo - Fone: (0 xx 11) 251-3455
Pedaços de história
O prazer de se refrescar com um sorvete é conhecido pelo homem há mais tempo do que se imagina. Consta em alguns livros de história que Nero, no ano 60 D.C., já saboreava essa sobremesa em seus banquetes. Naquele tempo a mistura era preparada na momento de servir com sucos de frutas, mel e neve dos Alpes.
Os chineses foram, entretanto, os grandes admiradores de sorvete na antiguidade. Há três mil anos atrás, antes da invenção das máquinas de fazer frio, utilizando a neve também preparavam suas especialidades. Alguns historiadores atribuem a Marco Polo a introdução do sorvete na Europa, no Século XIII, onde se incorporou o leite nas receitas.
Mas foi nos Estados Unidos que o produto se popularizou; a primeira sorveteria foi instalada em Baltimore, em 1851, tornando-se um sucesso e provocando uma expansão rápida do comércio do segmento, dando assim início à produção industrial do alimento. No Brasil também chegou no século passado e consta que era uma das sobremesas preferidas de D.Pedro II.
Com o aprimoramento das máquinas de fazer frio e o posterior avanço tecnológico, o sorvete passou a incorporar novos ingredientes e técnicas de preparo mais sofisticadas que trouxeram a cremosidade ao produto. Elementos como leite, açúcar, glicose, emulsificante, gordura vegetal, aromas, corantes e frutas naturais tornaram o sorvete um alimento com grande valor nutritivo.
Sofisticação e requinte na arte de fazer sorvete
Trazer para o Brasil uma linha de sorvetes diferenciada, que atendesse a um público mais exigente foi o objetivo da Häagen Dazs. A empresa começou sua atuação no mercado americano nos gourmet shops de Nova York e desde lá vem abrindo espaço em vários países. Os produtos fabricados pela Häagen Dazs, introduzidos no mercado brasileiro em 1997, trouxeram sofisticação para o segmento , e assim começou a se falar aqui dos sorvetes superpremium.
A proposta da marca é oferecer um produto com as mesmas características de sabor e qualidade dos sorvetes artesanais. Para obter esse resultado a empresa possui um processo de fabricação sofisticado e importa ingredientes de vários locais conhecidos por produzir o alimento com mais qualidade e sabor. Os morangos utilizados são do Oregon, a macadâmia, do Hawai, o chocolate vem da Bélgica e a baunilha, de Madagascar.
A Häagen Dazs desenvolveu também um processo para dar cremosidade natural ao sorvete e não utiliza o recurso da aeração, assim é obtida mais densidade no resultado final.
Em 1999, a empresa introduziu o programa de "Sabores Especiais", já adotado em diversos países. A proposta é vender sabores diferenciados por tempo determinado e tornar o produto permanente, dependendo da aceitação dos consumidores. O sabor doce de leite, característico dos brasileiros foi um dos eleitos e que integram a linha definitivamente.
Além da distribuição em supermercados, desde o ano passado a empresa iniciou a implantação de suas lojas no Brasil, com seis unidades localizadas no Rio de Janeiro e São Paulo. Elas chegaram aqui através da uma associação de um grupo brasileiro com a empresa Caravela, que detém a franquia em Portugal há cinco anos.
A "vera gelateria" italiana
A Parmalat inaugurou sua primeira loja em São Paulo em 1996, com o objetivo de reforçar sua estratégia, agregar novos consumidores e fixar ainda mais a marca Parmala e hoje já são 29 pontos de vendas instalados no Brasil. O sucesso das gelaterias fez com que a empresa optasse por abrir franquia para a rede e as primeiras lojas nesse novo sistema deverão abrir ainda este ano.
Os sorvetes produzidos pela Parmalat são vendidos apenas nas suas gelaterias e os cuidados com todos os detalhes para oferecer o tradicional sorvete italiano começam já na arquitetura da própria loja. A aparência clean do design combina com a atenção à limpeza e o local é dotado de sistema próprio de aquecimento de água, de modo a conseguir a limpeza absoluta de todos os utensílios e instalações. O sistema de climatização do ambiente também foi projetado para obter a temperatura ideal para a conservação do produto e para que seja agradável ao consumidor.
A empresa se preocupou até com a maneira de servir o sorvete e para isso trouxe de Parma (Itália), o "gelatarius" Paride Parma, especialista que orientou funcionários no procedimento prático e estético.
Para obter um sorvete diferenciado, a Parmalat pesquisou durante 8 anos matérias-primas e testou os resultados. Com isso obteve a cremosidade desejada e sabores que caíram no gosto do público, transformando em pouco tempo, o empreendimento em sucesso.
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