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A favor do pão na chapa!

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Por Adélia Chaves (*)

Que me desculpem os experts em foodservice e indo até na contramão da opinião de muitos, digo com toda a franqueza: não vejo com simpatia as chamadas “super padarias”!

 

Sou de uma época em que a padaria era campeã de fidelidade do cliente, que a visitava em média 5 vezes por semana. O pãozinho saia quentinho e o ambiente exalava o seu aroma de maneira a nos fazer sair de lá já com um pedaço fumegante na mão, para ser degustado com prazer.

Claro que tinha outros produtos! Frios, laticínios, produtos de conveniência (quem nunca começou a preparar um bolo em casa e percebendo que faltava ovo para a receita, correu para a padaria mais próxima?) e a simpatia ou ranhetice do “Seu” Manuel, afinal esse tipo de comércio sempre teve uma dominância lusa.

Além do balcão de atendimento, quase sempre uma área de lanchonete onde o atendente esperto preparava sucos, café com agilidade e o chapeiro, sanduíches de acordo com o pedido do freguês, além do pão na chapa…. maravilhoso!

O tempo passou, as padarias se viram ameaçadas pelos supermercados que passaram também a oferecer pãezinhos a preços até mais competitivos. E no afã de conquistar mais clientela, buscaram se diferenciar.

Até aí, tudo normal. Essa é a lei do mercado!

Nesse momento surgiram as “super padarias”, lugar onde (em tese) podemos comprar ou consumir no local o pãozinho, os frios, o pão na chapa, o sanduíche preferido, o vinho importado, a cerveja gourmet, o bombom, o sorvete, a pizza, a revista, o jornal, o brinquedo, etc… etc….

Além de tantos produtos, nas super padarias há sempre um balcão oferecendo um buffet de pratos para refeições completas, onde já vi até ser oferecido sushi e mexilhões!

Tudo bem, a ordem é conquistar o cliente. Mas a pergunta que faço é: porque essas super padarias não fazem então tudo isso bem feito?

Tenho constatado é que muitos desses estabelecimentos pecam pela grandiosidade e acabam derrapando no quesito qualidade e sabor. E sou sincera: em algumas nem o pão na chapa é mais o mesmo.

O que adianta entrar na onda da “tendência” e acabar perdendo a essência do negócio?

E o pior, nessas super padarias, não identificamos mais nem  a figura do  “seu” Manuel!

(*) Texto de Adélia Chaves – editora de Nutrinews, Consultora e palestrante especializada  em gestão de negócios de alimentação.

 

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1 comentário

  1. Isso é fato! muitos comércios vistos antes como tradicionais e até agradáveis apenas pela qualidade de seus produtos, perderam a essência por conta dessa competitividade sem fim. Lamentável.

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