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Um estudo clínico financiado pelo estado norte-americano testará se as refeições diárias nutritivas para pessoas com essas enfermidades crônicas podem melhorar a saúde e reduzir os custos médicos.

Foto: The New York Times
Foto: The New York TimesNo destaque, jovens sous-chefs adolescentes do Projeto Comunitário Ceres, preparam hambúrgueres de cogumelos destinados à pacientes em tratamento contra o câncer. O grupo está na vanguarda da abordagem do “alimento como tratamento” que é cada vez mais adotada por médicos, seguradoras de saúde, pesquisadores e autoridades de saúde pública.

Nos próximos três anos, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, e da Universidade Stanford, não muito distante, vão acompanhar os casos de mil pacientes de diabetes tipo 2 ou insuficiência cardíaca aos quais será oferecida uma dieta saudável e conscientização nutricional, para saber se isso afeta seu retorno ao hospital e possibilidade de novas internações e encaminhamento para tratamento de prazo mais longo, comparando-os aos casos de 4 mil pacientes semelhantes de baixa renda que não receberão a alimentação controlada.

O interesse na alimentação enquanto forma de terapia nasceu da epidemia de Aids dos anos 1980. Organizações como o Projeto Mão Aberta, de San Francisco, e God’s Love We Deliver, de Nova York, surgiram para ajudar a cuidar da saúde de pessoas cujas vidas eram dizimadas, frequentemente em decorrência da perda de peso chamada caquexia. Conforme a doença passou a ser tratada com medicamentos antirretrovirais, esses grupos passaram a ajudar pessoas que sofrem de doenças crônicas como as diabetes e insuficiência cardíaca.

“Quando a pessoa se sente péssima, cuidar da própria alimentação deixa de ser uma de suas prioridades”

Karen Pearl, presidente  e CEO da God’s Love We Deliver

“Quando a pessoa se sente péssima, cuidar da própria alimentação deixa de ser uma de suas prioridades”, disse Karen Pearl, presidente  e CEO da God’s Love We Deliver, instituição que  fornece os serviços de alimentação e nutrição necessários para quem vive com doenças graves e crônicas, como HIV, câncer, esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença cardíaca, doença renal terminal e diabetes avançado.

Um estudo realizado na Filadélfia pela Aliança de Nutrição da Vizinhança da Área Metropolitana comparou retroativamente as despesas apresentadas por 65 pacientes de baixa renda e portadores de doenças crônicas que receberam seis meses de alimentação balanceada por médicos com as despesas de um grupo de controle. Os pacientes que receberam a alimentação pouparam cerca de US$ 12 mil por mês em despesas médicas.

Outro pequeno estudo realizado por pesquisadores da University of California, San Francisco (UCSF) acompanhou pacientes com HIV e diabetes tipo 2 que receberam refeições especiais por seis meses para ver se isso traria efeitos positivos para a sua saúde. Os pesquisadores descobriram que os pacientes se mostraram menos deprimidos, menos propensos a ceder à má alimentação e aos seus efeitos nocivos, e mais propensos a respeitar o tratamento receitado.

Seu tratamento também custou menos: para a alimentação de cada participantes durante seis meses foram gastos US$ 1.184 por pessoa, menos da metade do custo diário de US$ 2.774 para a internação num hospital da Califórnia.

Pessoas de baixa renda podem enfrentar dificuldades para controlar doenças crônicas, pois frequentemente consomem alimentos baratos, repletos de açúcar e sal, evitando alternativas mais caras como frutas e legumes.

Para os pacientes com câncer, a perda do apetite que surge como efeito colateral do tratamento pode levar à desnutrição, reduzindo a capacidade do corpo de enfrentar a doença. O Dr. Fasih Hameed, diretor-assistente de medicina do Centro de Saúde de Petaluma, ao norte de San Francisco, receita as refeições do programa Ceres a pacientes com câncer e também àqueles com hepatite C.

“É uma forma de fazer um recomeço holístico”, disse ele.

A Dra. Hilary K. Seligman, professor da UCSF, disse, “as epidemias mais perigosas da nossa era – obesidade e diabetes – estão ligadas à alimentação”. Ela disse que a profissão médica “aceita sem pestanejar os medicamentos e procedimentos mais caros. Mas, em se tratando da alimentação, temos que provar que é mais barato aceitar esta forma de tratamento”.

Fonte: Estadão 
Autoria: Patricia Leigh Brown, The New York Times08 Julho 2018 
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