Banner

A proposta é de um modelo frontal, com base indicativa por porção, onde os ícones de sódio, açúcares totais e gordura saturada ganham cores de entendimento universal.

Depois de três anos de estudos e debates com o governo e a sociedade, a indústria brasileira de alimentos e bebidas propõe um novo modelo de rotulagem, que atende não só às mudanças nos hábitos alimentares dos brasileiros mas, principalmente, à demanda por clareza sobre ingredientes e valores de referência para composição de uma dieta equilibrada.

 No Brasil, as normas que regem a rotulagem de alimentos têm mais de 10 anos. Nesse tempo ocorreram inúmeras transformações, tanto no estilo de vida das pessoas como nos avanços tecnológicos dos alimentos, impulsionados em muito pela demanda dos consumidores, cada vez mais exigentes e atentos ao que consomem.

Após analisar a estrutura atual,  o setor propõe uma  rotulagem nutricional frontal com base indicativa por porção, onde os ícones de sódio, açúcares totais e gordura saturada passam a ser coloridos, em verde, amarelo e vermelho, cores de entendimento universal, numa  abordagem direta de informação ao consumidor, clara e específica, de forma a melhorar a compreensão da composição dos alimentos.A cor verde indica que o consumo está mais longe da recomendação diária do nutriente (IDR), ou seja, pode-se ingerir uma quantidade maior daquele nutriente. A cor amarela demanda atenção, pois o alimento já está com níveis mais próximos de se alcançar a recomendação diária de consumo. A cor vermelha indica que o consumidor está bem próximo de alcançar a recomendação diária do nutriente somente com o consumo deste único alimento; por isso, é importante controlar o consumo de outros alimentos com maior aporte desse nutriente.

“A informação por porção é mais próxima da realidade de consumo, e, por essa razão, a rotulagem frontal com cores é feita por porção. Esse modelo possibilita que o consumidor encontre de forma mais fácil a característica dos alimentos, o teor de cada nutriente, para que tenha o poder de escolha dentro do contexto de uma dieta equilibrada, diversificada e inclusiva. Isso evita a simples inserção de advertências ou ilustrações, meramente interpretativas, que desqualificam isoladamente nutrientes nos alimentos”, explica Daniella Cunha, Diretora de Relações Institucionais da ABIA.

A proposta foi debatida com jornalistas, durante encontro de representantes da ABIA e da ABIR, realizado em São Paulo, no dia 16 de outubro passado, data de comemoração do  Dia Mundial da Alimentação.

No evento, mediado pelo jornalista Marcelo Tas,  foram destacadas as transformações econômicas, políticas, sociais e culturais provenientes da urbanização e da globalização e seus  impactos direto no estilo de vida e alimentação da sociedade moderna.

O relatório Tendências Globais em Alimentos e Bebidas 2017, realizado pela consultoria Mintel, revela que o investimento em tempo necessário para o preparo das refeições irá se tornar tão importante quanto a escolha dos ingredientes e nutrientes, o que estimula a necessidade de soluções com alimentos nutritivos e customizáveis. Dessa maneira, ciência e tecnologia trazem contribuições práticas que resultam em produtos e serviços inovadores. “Estamos em um novo patamar de desenvolvimento e o crescente investimento em pesquisa e inovação no Brasil é voltado para um modelo de alimentação segura, que atenda ao atual estilo de vida da população e também informe adequadamente o consumidor por meio da embalagem e da rotulagem”, declara Luis Madi, o diretor geral do ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos.

Vale lembrar que cada indivíduo apresenta necessidades nutricionais distintas, que mudam de acordo com idade, prática de atividade física, condições gerais de saúde e situação metabólica, entre outros fatores. Logo, uma alimentação adequada varia de pessoa para pessoa. De acordo com a nutricionista Márcia Terra, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN, é essencial encarar a alimentação com olhar multifatorial. “Está claro que o desenvolvimento tecnológico trouxe facilidades e oportunidades, com opções de consumo que não prejudicam a saúde. Hoje somos levados para tudo o que possa facilitar a vida cotidiana e o trabalho na cozinha. As razões que envolvem a escolha dos alimentos são inúmeras, porém, a mais relevante é baseada no entendimento, fato que contribui para uma grande mudança nos padrões alimentares da população”, explica a especialista.

Todos esses pontos viram dúvidas na cabeça do consumidor. Por isso a educação nutricional é tão importante. Quanto mais informação, melhores e mais assertivas serão as escolhas alimentares.  “É importante que as pessoas entendam qual é a composição do alimento. Compreender o que está no rótulo é fundamental para acertar na escolha dos produtos, identificando, assim, o que é mais adequado para sua saúde individual e com que frequência pode consumir determinados alimentos, sem que haja prejuízo à saúde como um todo, no médio e longo prazo”, declara a nutricionista Vanderlí Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia (APFIT) e fundadora e membro da diretoria da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE).

Dessa forma, a rotulagem dos alimentos é uma ferramenta essencial para que o consumidor obtenha informações de forma padronizada, clara, simples e segura, para tomar decisões alimentares personalizadas e equilibradas, aponta Vanderlí.

A questão nutricional ocupa hoje um lugar de destaque no contexto mundial e é evidente a importância de promover mudanças práticas que auxiliem as pessoas no dia a dia. No entanto, a construção de novas políticas voltadas ao consumidor deve ter função educativa e respeitar suas necessidades individuais. A adoção de modelos proibitivos, alarmistas e de difícil compreensão não só deixa a desejar no quesito informação, como dificulta a escolha na hora de comprar o alimento.

A indústria da alimentação acredita que qualquer modelo de rotulagem, sozinho, não é capaz de substituir uma ação ampla de educação alimentar e nutricional, que oriente a população a entender as informações nos rótulos dos alimentos e saber como compor uma alimentação saudável e equilibrada.

(*) Trata-se de uma recomendação baseada em diversos trabalhos, numa análise do cenário mundial e em revisão bibliográfica realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação – NEPA, da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas.   

 

ESTA NOTÍCIA FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ? Compartilhe com seus amigos.

Clique aqui para ver  mais notícias.

 

 

Share.

Leave A Reply